Notícias

Papa termina peregrinação à "Casa da Mãe"

Francisco foi a Fátima como o peregrino da esperança e da paz acolhendo o convite do Presidente da República e dos Bispos portugueses.

15/05/2017 10:05:00


O Papa Francisco realizou, nos dias 12 e 13 de maio, uma peregrinação ao Santuário mariano de Fátima por ocasião do primeiro Centenário das Aparições de Nossa Senhora na Cova da Iria a três crianças. Duas delas canonizadas no sábado, dia 13, os irmãos Francisco e Jacinta Marto. A terceira a ver a Virgem, Lúcia, está em processo de beatificação.

Em pouco mais de 23 horas em terras lusitanas, Francisco participou de quatro discursos, sete presentes, dois encontros privados, um almoço com os bispos portugueses e a oração do Terço diante da imagem de Nossa Senhora e a Santa Missa com a presença de milhares de fiéis e peregrinos.

Poucas horas, mas intensas. A paz e a esperança foram o lema da peregrinação ao santuário que tem na paz a sua melhor mensagem.

Francisco foi a Fátima como o peregrino da esperança e da paz acolhendo o convite do Presidente da República e dos Bispos portugueses. Conforme os participantes foram momentos vividos com grande alegria por todos, porque, neste centenário, através da presença do Santo Padre a Igreja portuguesa esteve unida a toda a igreja do mundo. Segundo o que Francisco disse aos cerca de 70 jornalistas presentes no avião papal, esta foi uma “viagem um pouco especial, uma viagem de oração, um encontro com o Senhor e com a Santa Mãe de Deus”.

Na grande vigília de oração na sexta-feira Francisco rezou diante da imagem de Nossa Senhora. Ali aos pés da imagem, depositou flores e depois uma Rosa de Ouro. Na ocasião, ele pediu paz e concórdia para o mundo, e para os povos. Recordou os pastorzinhos e que podemos também ser peregrinos de todos os caminhos, derrubando muros e fronteiras.

O Papa peregrino foi doce, mas preciso em suas palavras, numa mensagem na qual falou de perdão, da humanidade e dos mais fracos. Francisco recordou que não há Cristianismo sem Maria e avisou que é um erro pensar em Deus ou em Nossa Senhora como figuras “castigadoras” do pecado. São misericordiosos.

O Pontífice entregou a todos uma pergunta que certamente os peregrinos vão levar na sua bagagem espiritual; Peregrinos com Maria… Qual Maria? Uma “Mestra de vida espiritual”, a primeira que seguiu Cristo pelo caminho “estreito” da cruz dando-nos o exemplo, ou então uma Senhora “inatingível” e, consequentemente, inimitável? A “Bendita por ter acreditado” sempre e em todas as circunstâncias nas palavras divinas, ou então uma “Santinha” a quem se recorre para obter favores a baixo preço? Francisco exortou os fiéis a deixarem de lado as próprias ambições e interesses.

A Praça diante do Santuário ficou pequena para acolher tantos peregrinos que chegaram a dormir ao ar livre para poder ver e ouvir Francisco. Uma verdadeira festa de fé, de cores e louvores.

Muitos dos peregrinos carregaram com orgulho na sua peregrinação a bandeira do seu país. Foram rezar e pedir pela paz nas suas nações, todos de coração cheio. Todos os visitantes voltaram para casa com uma mensagem de paz, conforme destacaram. Eles carregam em suas bagagens uma experiência ímpar, indescritível. Vieram renovar a fé e deixar aos pés da Senhora de Fátima, todos os desejos, anseios e horizontes.

Fátima tocou e toca o coração das pessoas, como certamente tocou o coração de Francisco. Também ele levou aos pés da mãe os pedidos e anseios de toda uma humanidade; levou no coração as preces de uma humanidade ferida e oprimida em tantas situações de guerras, perseguições e injustiças.

E na sua passagem por Fátima Francisco deu à Igreja dois novos santos, duas crianças, os mais jovens santos não mártires a serem canonizados. Um novo capítulo na história da Igreja no que diz respeito à infância.

A peregrinação de Francisco à Fátima certamente ficará na memória daquele Santuário e dos peregrinos que o visitam. Deste lugar sagrado o Sucessor de Pedro falou de uma “revolução” centralizada na misericórdia e no perdão, palavras-chave de seu pontificado, a revolução da ternura e do carinho. Com Maria, disse, possamos ser sinal e sacramento de misericórdia de Deus, que perdoa sempre, perdoa tudo.

Francisco concluiu como tantos outros fiéis a sua peregrinação a Fátima. Ele, como tantos outros, percorreu o caminho até a “Casa da Mãe”.

Silvonei José Protz / Rádio Vaticano

Foto: AP