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TEOLOGIA EM GOTAS: A finalidade da teologia católica, hoje

É Jesus de Nazaré o mesmo Senhor, Kyrios, Ressuscitado?

17/05/2017 08:58:00


Teologia em gotas é uma brevíssima exposição sobre “dar razão da minha fé aos outros e a mim mesmo”. (1Pe 3,15b).

No anterior artigo, (Boletim 455) nós tratamos a seguinte pergunta: As religiões monoteístas acreditam no mesmo Deus? Hoje a pergunta é:

É Jesus de Nazaré o mesmo Senhor Ressuscitado?

Esta gota não pretende descrever tudo o que a teologia nos afirma de Jesus, o Messias. É apenas uma descrição sintética de catecismo.

Pressupostos para entender.

1º Jesus de Nazaré (Messias, em Hebraico; Yeshua, em grego, Jesus em Português). Jesus, Deus Salva, tem nome próprio: Cristo (ungido pelo Espírito de Deus, Is 11,2; At 10,38) que realizou a esperança messiânica de Israel na sua tríplice função de sacerdote, profeta e rei. Com a sua morte e Ressurreição Deus Pai o constituiu Senhor e Cristo (At 2,36). O Salvador, o Messias por ser o Filho de Deus, recebe o nome de Kyrios, Senhor, Deus, que é o nome para designar o Deus de Israel. Jesus-Cristo-Messias é o Senhor. (Rm 9,10; 1Cor 12,3;Fl2,11).

2º Quando falamos de Jesus de Nazaré, o filho de José e Maria, estamos falando do Messias, do Senhor que morreu e ressuscitou, do salvador da humanidade. Como rezamos no Credo na missa dominical.

3º Para compreender, sentir, amar e agir transformados por Jesus é preciso conhecê-lo, ter um encontro pessoal com ele, conhecer as escrituras e conhecer o contexto histórico da sua época.

4º Jesus de Nazaré, o Messias ressuscitado está junto do Pai, está na Eucaristia e quando as pessoas se reúnem no seu nome para amar, sentir e agir como ele amou, sentiu e fez. Sendo Deus está na Trindade em todos os lugares.

5º O concílio IV Ecumênico de Calcedônia (451). Este concílio cristológico é fundamental para compreender quem é Jesus Cristo. Definiu a unidade da pessoa de Cristo em duas naturezas, homem perfeito e Deus perfeito, sem confusão ou mudança, sem divisão ou separação.

Quem foi Jesus de Nazaré?

Temos duas fontes sobre a vida de Jesus: as não cristãs e as cristãs. Entre as principais não cristãs temos o historiador judeu Flavio Josefo (30-100: Antiguidades judaicas) Entre as cristãs temos as Cartas de Paulo (anos 50) e os Evangelhos (anos 80).

Segundo os historiadores atuais Jesus nasceu entre os anos 7–2 antes de Cristo. O relato do nascimento milagroso de Jesus se encontra nos evangelhos de Mateus e Lucas em duas versões independentes uma da outra. (Mt 1,18-25 e Lc 2,1-7). Não é mencionado em Marcos e João. O resto dos escritos neotestamentários ainda são desconhecidos. Fora do Novo Testamento, o primeiro autor a mencionar o nascimento virginal de Jesus é Inácio de Antioquia (107. d. C).

O ordenamento da história a partir do nascimento de Jesus se deve ao monge Dionísio o Pequeno, morto no ano 556, ele concluiu que Jesus nascera no ano753 da fundação de Roma (753 ab urbe condita), sendo essa data o primeiro ano da nova história da humanidade. Esta cronologia tem uma incorreção de quatro anos, o que indicaria que estamos no ano 2013, depois de Cristo.

Jesus foi um judeu da Galileia em Nazaré, onde morou durante trinta anos (Lc 3,23), até o seu batismo por João o Batista e logo o seu ministério até a crucifixão e ressurreição com uma duração de um a três anos.

Os habitantes de Nazaré, na época um povoado obscuro e insignificante com até oitenta famílias, mal viviam, trabalhando a terra que não era sua e, pagando pesados impostos, taxas, dízimos e tributos. Alguns dos seus habitantes viviam em cavernas escavadas nas encostas. A maioria em casas baixas e primitivas, com paredes de pedra, telhado de ramos secos e chão de terra batida. Só tinham um cômodo no qual se alojava e dormia toda a família, inclusive os animais. Jesus viveu em uma destas casas e captou até em seus mínimos detalhes a vida de cada dia (Mt 12,25; 16,2-4;  22,18; Jo 17,25).

A seis quilômetros de Nazaré se constriu a bela cidade de Séforis, capital da Galileia. Quando Jesus nasceu, esta cidade empregava muita mão de obra especializada, dos redores, sobretudo, entalhadores, esculpidores de pedras e madeira. Possivelmente Jesus e o seu pai foram excelentes entalhadores. É improvável ser um carpinteiro em Nazaré (Jo 1,45-46), nessa época.

Aos 12 anos, um israelita era considerado adulto. Jesus viveu toda a sua vida em Nazaré junto à sua mãe e família, talvez responsável pela manutenção da casa ao falecimento do seu pai (Lc 2,39-40). Teve uma vida ordinária, comum, no dia a dia em intimidade com o seu Pai do céu e impregnado do Espírito Santo, dando exemplo de fé, de família, de cidadão, de trabalhador, de vida construtiva, participativa e alegre na sua comunidade. Não lhe faltaram dificuldades, incompreensões e dores com a sua família, como afirma no texto de Marcos: “Um profeta é respeitado em toda parte, menos na sua terra, entre os seus parentes e na sua própria casa” (6,4; 3,21). Durante sua vida de ministério morou com a família de Pedro em Cafarnaum (Mc 1,29).

A pergunta fundamental para uma pessoa é responder quem é Jesus Cristo para mim? E ouvir de Jesus esta resposta: “Eu sou sua vida, Eu sou seu caminho, Eu sou sua verdade (Jo 14,6; 10,10) e, ai, eu verificar e sentir que “Já não sou eu quem vive, mas Cristo é quem vive em mim. E esta vida que vivo agora, eu a vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e se deu a si mesmo por mim”. (Gálatas 2,20).

A MÃE DE JESUS CRISTO

Antes de sermos indivíduos, somos seres sociais, existimos pelos outros: eu sou o outro que está em mim. Somos humanos em um contexto social e político. Jesus aprendeu tudo da sua mãe amorosa. (Lc 2,51) Jesus filho de Maria e da Lei (Is 7,14; Gl 4,4; Mt 1,25; Lc 2,7) viveu intensamente sua vida crescendo em humanidade, sabedoria, amizade e amor com as pessoas e intimidade com o Pai.

Nazaré é a escola silenciosa onde Jesus nos ensina o amor misericordioso de Deus que se fez um homem por nós: “Sendo Deus, se tornou um servo, igual aos seres humanos. E vivendo a vida comum de um ser humano. Ele foi humilde e obedeceu a Deus até a morte e Morte de Cruz”. (Fil 2,5-11).

O Papa Paulo VI afirmou: “Nazaré é a escola onde se começa a compreender a vida de Jesus: a escola do Evangelho. Aqui se aprende a olhar, a escutar, a meditar e penetrar o significado, tão profundo e tão misterioso, dessa manifestação tão simples, tão humilde e tão bela, do Filho de Deus.   Aqui, em Nazaré, se aprende o método que nos permitirá compreender quem é o Cristo. Aqui se descobre a necessidade de observar o quadro de sua permanência entre nós: os lugares, os tempos, os costumes, a linguagem, as práticas religiosas, tudo de que Jesus se serviu para revelar-se ao mundo. Aqui tudo fala, tudo tem um sentido”.

O CAMINHO DA NOVA FÉ EM CRISTO RESSUSCITADO                                                                                                             Jesus Ressuscitou. Cristo morreu e ressuscitou é o fundamento da nossa fé. (1 Coríntios 15). Se Cristo não ressuscitou, nós os seus seguidores somos as pessoas mais infelizes do mundo! (1 Cor 15,14-19).

Mas Jesus ressuscitou. Está vivo, está entre nós. Ele é a nossa vida plena. “Vida é, de fato, estar com Cristo; aí onde está Cristo, ai está a vida, aí está o Reino” (São Ambrósio, 340-397).

A Igreja, Corpo místico de Cristo “ela é o instrumento de Redenção de todos os homens, o sacramento universal de salvação, pelo qual Cristo manifesta e atualiza o amor de Deus pelos homens. Ela é o projeto visível do amor de Deus pela humanidade” (CIC 776).

Em síntese, Jesus de Nazaré, filho da Senhora Santa Maria, é o mesmo Ressuscitado, anunciado por Maria Madalena e suas companheiras aos apóstolos e ao mundo, o Kyrios, Senhor, juiz universal.

O endereço de Jesus Cristo: Ele mora na Igreja, isto é, na comunidade dos que vivem, agem, amam, constroem e acreditam na força e na vida da Ressurreição. Está nos humildes e pobres e nos que fazem a vontade do Pai (Mt 25,31-46; Lc 10,25-37; Jo 6,39).

OBSERVAÇÃO:                                                                                                                                                                             Um livro atual e necessário para conhecer e amar mais a Jesus Ressuscitado é este: JESUS. Aproximação histórica. José Antonio Pagola. Editora Vozes. De venda na Livraria diocesana de Guarapuava.                                                                                                         

Germán Calderón Calderón