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Aos 90 anos, marceneiro que virou padre após ter 12 filhos e ficar viúvo celebra missas diárias

José Brombal fala sobre reviravolta depois da morte da esposa em 1986 e vida em paróquia de Jundiaí (SP).

07/08/2017 10:41:00


É na Catedral Nossa Senhora do Desterro em Jundiaí (SP) que o padre José Brombal celebra missas diariamente com muito carisma e disposição. Mas quem vê o pároco de 90 anos dominando os rituais da Igreja Católica, não tem ideia do quanto sua vida mudou quando decidiu largar a marcenaria para se dedicar ao seminário.

No Dia do Padre, celebrado em 04 de agosto,  padre José Brombal contou sua história.

Antes de ser padre, José se dedicava a marcenaria e era casado. Pai de 12 filhos, o padre nonagenário contou ao que foi convidado a seguir a carreira religiosa após o falecimento de sua mulher, em 1986.

Católico praticante, ao ser chamado pelo bispo para ser diácono não pensou duas vezes em aceitar a oferta, pois encontrou na fé um modo de superar a perda ainda recente da esposa, com quem manteve uma união de 34 anos.

“Não fiquei abalado com a morte dela, pois nós temos que aceitar que tudo tem um princípio e um fim. Eu acredito que isso tenha sido um propósito de Deus na minha vida”, afirma José.

O padre conta que os filhos não se opuseram à sua escolha e ainda foi apoiado por eles. “Sempre fui católico e, quando recebi o convite, eles não ficaram surpresos com a minha decisão”.

Durante os 13 anos como responsável pela paróquia, Brombal afirma que todos os dias atende no confessionário da igreja. “São pessoas de todas as idades, atendo elas e dou a absolvição. As pessoas têm fome de Deus. Tudo você tem que fazer por amor e isso graças a Deus, tenho feito”.

José Brombal é pai de Anselmo, Maria Aparecida, Maria José, Maria Conceição, Maria das Graças, Paulo Alberto, Maria Salete, Maria Ana, Maurílio Luís, José Carlos, Plinio Eduardo e Maria Cláudia, e manteve a família com o trabalho como marceneiro e carpinteiro.

A filha caçula, Maria Cláudia, contou que desde pequena viu os pais frequentando as atividades desenvolvidas pela igreja e que, juntos, eles participara do Cursilho da Cristandade, como base de orientação para as doutrinas da Igreja.

“Quando ele foi convidado para ser diácono ficou muito feliz. Fazer parte da igreja já era um sonho de infância. Eu senti falta quando ele foi morar na casa paroquial, mas foi só no começo. Hoje, vejo o quão querido na igreja ele é por ser uma pessoa muito acolhedora e que cativa a todos”, conta.

O pároco celebra duas missas por dia, segundo relata, com muita disposição e carinho. Ele também revela que sua missão foi designada por Deus e, apesar da idade, pretende seguir na função até o último dia de sua vida.

 

Por Aline Albuquerque/ G1 Sorocaba e Jundiaí

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