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Em Assembleia, Pastoral Afro-Brasileira discorre sobre a situação do negro no mundo

Durante o encontro, também foi eleita a nova diretoria. Segundo Dom Antônio Wagner da Silva, “é preciso ser ousado” e tentar unir os diferentes segmentos da cultura negra do Estado.

11/10/2017 14:47:00


De 06 a 08 de outubro, Guarapuava sediou mais uma edição da Assembleia do Povo Negro da Pastoral Afro-Brasileira em nível de Regional Sul 2 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que compreende a Igreja no Paraná.

O encontro foi realizado na Casa de Líderes Nossa Senhora de Guadalupe, bairro Santana e reuniu mais de cinquenta pessoas que representaram as dioceses e arquidioceses das cidades de Curitiba, Maringá, Apucarana, Londrina e Guarapuava.

Dom Antônio Wagner da Silva, bispo da diocese de Guarapuava e referencial da Pastoral Afro-Brasileira no Regional Sul 2, acompanhou os trabalhos e, em entrevista ao Centro Diocesano de Comunicação (CDC) falou das novas perspectivas e propostas da Pastoral Afro-Brasileira em nível de Estado. “A Assembleia foi de muita importância pela referência que é no Estado e por podermos levantar assuntos que dizem respeito ao povo negro não só em nível de Igreja, mas como sociedade com suas várias vertentes. Depois da eleição da nova diretoria, o Regional (Sul 2) foi dividido em duas partes, formando dois grupos de trabalho. Com isso, os encaminhamentos ficam facilitados e os encontro entre os representantes da Pastoral (Afro-Brasileira) podem ser feitos com mais frequência. Também ficou acertado que realizaremos encontros com os coordenadores em nível de diocese. Esses coordenadores levarão suas demandas e problemas colhidos a partir dos trabalhos locais e, então, serão levantados e abordados em âmbito maior. Anualmente, faremos a Assembleia em nível regional para discutir e também celebrar o que foi realizado ao longo do ano no Paraná”, explicou Dom Wagner.

Uma ideia considerada ousada e que será posta em prática nos próximos meses, são as parcerias entre a Pastoral Afro-Brasileira com as demais entidades, órgãos e grupos do mesmo segmento, sem levar em conta as questões políticas e de credo. Dom Wagner observou que com isso, as possibilidades de expansão da Cultura Negra no Paraná e no Brasil, só aumentam. A aproximação, conforme enfatizou o bispo referencial, torna a união fator primordial e base de sustentação de projetos que venham ao encontro destas comunidades. “Esta nossa proposta tem o objetivo de unir as pessoas que vivem e difundem a Cultura Negra em todos os âmbitos, bem como aqueles grupos que defendem os direitos e deveres dos afrodescendentes. As parcerias com os diversos setores, com as mais variadas comunidades e até empresas serão de grande importância para o crescimento dos movimentos afro-brasileiros. Dentro deste projeto de união, vamos destacar a saúde da mulher, uma das grandes necessidades hoje, a difusão cultural negra através da música, danças e artes visuais de um modo geral e também tocar em pontos fundamentais sobre os direitos dos negros, seus deveres e a importância de sua inserção na política, nas empresas públicas e privadas, bem como o conhecimento de sua situação em se tratando do mundo. Tudo isso resulta, com certeza, numa grande e bonita celebração. Acredito que com as parcerias, muitas portas serão abertas e muita gente será beneficiada por este acolhimento”, relatou Dom Wagner.

Nerci Guiné coordenadora diocesana da Pastoral Afro-Brasileira observou que há uma grande necessidade de união entre os povos que representam minoria em todo o país. Conforme instrui, envolver os grupos e apontar caminhos se faz necessário na Igreja, mas principalmente fora desses limites. “Nós precisamos ir ao encontro dessas pessoas e fazer com que elas se sintam motivadas a participar conosco desses movimentos. Não falo aqui dos problemas enfrentados apenas pelo povo negro, mas por outras minorias também, como os indígenas, os ciganos e tantas outras pessoas que são excluídas ou se excluem por não se sentirem bem na sociedade em que vivemos. O problema da discriminação, do preconceito sempre existiu e vai continuar existindo se não entendermos a mudança como uma necessidade. Vivemos a década internacional do afrodescendente. De 2015 a 2024, muitas são as atividades em todo o mundo e no Brasil, que mostram a situação do negro e seus problemas enfrentados diariamente”, grifou Nerci.

Valdir Nunes na cidade de Colombo, Paraná e é coordenador da Pastoral Afro-Brasileira do Regional Sul 2 da CNBB. Em entrevista ao repórter Tonico de Oliveira, da Central Cultura de Comunicação, ele falou da luta diária que o povo negro precisa travar em todo o mundo para sobreviver e provar que é capaz de desenvolver suas tarefas profissionais. “Em todos os tempos, o povo negro é o mais pobre do mundo. Há mazelas de toda a natureza que assolam este povo. Temos o dever de mudar esta situação e promover a igualdade e a justiça. Nossa luta, nosso trabalho contra tudo isso também é uma tarefa diária. Enquanto Igreja, enquanto povo de Deus, nós precisamos fazer acontecer. O negro, assim como outras minorias, carece de união para avançar. Há vários tipos de negros: há aquele que tem a pele escura, preta, aquele mais claro um pouco e há aquele branco que tem suas raízes afrodescendentes e, portanto, é negro também. É preciso esse reconhecimento para que os próximos passos possam ser dados com segurança, com base na fé e no compromisso missionário e cristão”, lembrou Valdir.

O padre Edvaldo Nogueira da Silva, da Congregação Salesianos de Dom Bosco (SDB), pároco da paróquia São João Bosco em Guarapuava, assessorou a Assembleia. Segundo os participantes, o sacerdote promoveu muitos momentos de espiritualidade e de entendimento sobre assuntos relativos à aceitação, escravidão e busca por novos rumos em se tratando do povo negro. Para padre Edvaldo, “lembrar que todos nós somos iguais ante o juízo de Deus, é um apostolado que precisa ser cumprido e espalhado para todos os lados como boa-nova”.

Durante o encontro, também houve homenagens e referências aos 300 anos de encontro da imagem de Nossa Senhora no Rio Paraíba do Sul, em São Paulo, dando origem à devoção a Nossa Senhora Aparecida.

Ao final dos trabalhos, os participantes fizeram análise de conjuntura sobre “o negro e seus desafios no Estado do Paraná”, com referência à década internacional dedicada a discussões sobre os afrodescendentes, que se iniciou em 2015 e vai até 2024.

Com informações de Tonico de Oliveira / Central Cultura de Comunicação

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