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Diocese de Guarapuava ordena primeiro diácono permanente

Agnaldo Pereira dos Santos será ordenado na paróquia Imaculada Conceição, em Palmital, no sábado dia 11 de novembro, às 10 horas da manhã. Dom Antônio Wagner da Silva presidirá a celebração.

10/11/2017 10:26:00


No dia 11 de novembro, às 10 horas da manhã, a paróquia Imaculada Conceição, da cidade de Palmital acolhe a ordenação do diácono permanente Agnaldo Pereira dos Santos.

A ordem será dada pelo bispo da diocese de Guarapuava, Dom Antônio Wagner da Silva na matriz. Todos da comunidade são convidados a celebrar o evento, conforme destaca a coordenação da paróquia que considera a ordem ao novo diácono um momento muito importante para todos.

Agnaldo disse considerar sua ordenação como um dos momentos mais importantes e significativos de sua vida, pois se sente preparado para servir a Deus através da Igreja. Como lema de seu trabalho junto à Igreja, Agnaldo escolheu a frase que consta no livro de João, capítulo 15, versículo 16, que diz: “Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi e vos designei para que produzais fruto e o vosso fruto permaneça”. (Jo 15,16)

Agnaldo escreveu uma carta, falado de sua vida e de sua vocação. O texto pode ser lido abaixo:

 

Sou Agnaldo Pereira dos Santos, 43 anos de idade, filho de José Antonio Pereira dos Santos e Ermedina Rodrigues de Souza, casado há 18 anos com Claudia Mara Leonel Batista dos Santos. Sou pai de duas filhas: Leticia Batista dos Santos e Alessandra Batista dos Santos. Moro na área rural do município de Palmital e trabalho como pequeno produtor de leite há dois anos e meio.

Nasci em 28 de julho de 1974, na cidade de Kaloré, Paraná. Com um ano de idade, houve a necessidade de mudarmos para o município de Rosário do Ivaí, também no Paraná, onde permanecemos com atividades agrícolas e pecuárias.

Desde cedo, passei a participar, junto com os meus pais e meus irmãos na comunidade Beato São José (Gruta), paróquia Nossa Senhora do Rosário. Aos dezessete anos de idade concluí a Iniciação Cristã, onde fui convidado a ser catequista. Foi ali que comecei esta caminhada de vida pastoral e assim descobrindo a minha vocação. Um ano depois (1994) recebi o convite do padre Estanislau (Pároco) a fazer a formação para ministro extraordinário da comunhão Eucarística e da Palavra. A partir de então, me senti mais próximo da realidade pastoral. Aos poucos, fui percebendo a necessidade de haver mais empenho no serviço à comunidade.

Em 1996, nos mudamos para São José dos Pinhais, no Paraná, onde iríamos começar uma nova realidade. Apresentei-me na comunidade Nossa Senhora Rainha da Paz, onde fui acolhido pela comunidade e pelo pároco da paróquia Nossa Senhora do Monte Claro, os quais me motivaram a continuar a servir a Igreja no ministério já investido. Em 1997, foi instaurada uma nova paróquia, na qual a comunidade Nossa Senhora Rainha da Paz passou a ser a matriz desta nova paróquia. O diácono Nilceu Bim, recém-ordenado, passou a servir esta nova comunidade, onde residia, passando a atuar no trabalho de organização pastoral.

O tempo foi passando, nós nos conhecendo, trocando experiências e aprendendo juntos. Eu tive a graça de fazer parte do conselho pastoral paroquial (CPP), onde, junto com o diácono permanente, também um Joven teólogo, Marcio José Pelinski e um senhor sem muito estudo, mas com um testemunho de vida exemplar, Nelson Aparecido, (hoje, ambos atuando como diáconos permanentes). Em buscar de novas formações, recebi o convite do pároco, padre Jaime, para fazer a escola diaconal São Filipe, na arquidiocese de Curitiba. Iniciei os estudo em 2012, tendo um pouco de dificuldade durante os três anos, mas com a graça de Deus, apoio da família e dos amigos e as orações da comunidade concluí, em 2014. À época, já tínhamos datas agendadas para os primeiros ministérios e para a ordenação diaconal.

Em 2015, ao receber o ministério de leitor, por instabilidade econômica na empresa em que trabalhava há 15 anos, tive que sair. Pela graça divina e sem saber quais eram os planos de Deus, me mudei para a cidade de Palmital, onde não havendo a realidade do diaconato permanente, me apresentei ao pároco padre Erondi Alves da Silva e ao bispo diocesano Dom Antonio Wagner da Silva. Ambos me acolheram com grande alegria. Assim estamos somando forças nos trabalhos pastorais. É uma satisfação imensa poder continuar a servir a Igreja, ao povo de Deus. A partir do dia 11 de novembro, passo a trabalhar como diácono permanente. A maior alegria não é pelo fato de ser o primeiro diácono permanente na diocese, mas de poder ser uma nova semente lançada neste campo para que produza frutos e permaneça.

Peço a graça da Santíssima Trindade, pela intercessão de Nossa Senhora de Belém para que eu possa, juntamente com toda a Igreja e povo de Deus, desempenhar bem esse ministério e juntos, lançarmos as redes nas águas mais profundas. Deus seja Louvado agora e para sempre, Amém.               

Agnaldo Pereira dos Santos

Paróquia Imaculada Conceição – Palmital - PR

O que é diaconato

Diaconato é o primeiro grau do Sacramento da Ordem. Os outros dois são o presbitério e o episcopado, portanto, diáconos, presbíteros e bispos compõem a hierarquia da Igreja. As mãos lhes são impostas para o ministério e não para o sacerdócio. Com a ordenação o diácono deixa sua condição de leigo e passa a fazer parte do clero. Esse Sacramento imprime caráter, que o faz diácono por toda a eternidade. Não há como retroceder.

O diaconato não é novidade na Igreja

O diaconato foi instituído pelos apóstolos. Podemos ver em Atos 6,1-6 a imposição de mãos sobre os primeiros sete diáconos: Filipe, Prócoro, Nicanor, Tímon, Pármenas, Nicolau e Estevão que foi o primeiro mártir (At. 6,8-7,60). Podemos, ainda, ver outras referencias como Fl 1,1 e 1Tm 3,8-ss. Permaneceu florescente na Igreja do Ocidente até o século V, depois por várias razões desapareceu.

Concílio Vaticano II

O Diácono Permanente Foi restabelecido pelo Concílio Vaticano II. Inicialmente foi regulamentado pelo Papa Paulo VI, em 1967 no Motu Próprio Sacrum Diaconatus Ordinem. Em 31 de março deste ano, foram promulgadas pela Congregação para o Clero as normas fundamentais para a formação dos diáconos permanentes e o diretório do ministério e da vida dos diáconos permanentes.

Diácono permanente numa nação, não implica a obrigação da sua restauração em todas as dioceses. Compete exclusivamente ao bispo diocesano restaurá-lo ou não.

“Tipos” de Diácono

Existem dois tipos de diáconos: o diácono transitório é aquele que recebe o sacramento da ordem no grau de diaconato para depois receber o segundo grau e tornar-se presbítero, ou padre, conforme costumamos dizer; e o diácono permanente, que sendo casado, não pode ascender ao grau superior, ficando permanentemente como diácono.

Exigências para o Diaconato Permanente

As normas da Igreja fazem algumas exigências para a ordenação de diáconos permanentes: a formação deve durar pelo menos três anos (no mínimo mil horas) e deve conter obrigatoriamente Teologia Bíblica, Dogmática, Litúrgica e Pastoral; o candidato deve estar casado no mínimo há cinco anos; tem que ter pelo menos 35 anos. Vida matrimonial e eclesial exemplares. Autorização verbal da esposa, no momento da ordenação e por escrito, arquivada no processo. Todas as dioceses têm normas específicas, exemplo: segundo grau completo, situação econômica estável, indicação do pároco, entrevistas com o bispo (inclusive esposas), idade superior a quarenta anos, retiros espirituais a cada seis meses para que se possa meditar sobre sua vocação; estar intimamente ligado a uma paróquia, aonde venha prestando valiosos serviços; complementar seus estudos com Teologia Moral, História da Igreja, Direito Canônico e Mariologia. Ser homem de oração e assíduo na frequência aos sacramentos. De modo geral o candidato é escolhido entre aqueles que se sobressaem na comunidade por sua espiritualidade e engajamento na paróquia, todavia, nada impede que alguém explicite ao pároco ou mesmo ao bispo diocesano sua vocação de servir à Igreja como ministro ordenado.

As funções do diácono

Diaconia quer dizer serviço. Então, o diácono é ordenado para servir. Faz parte do ministério do Cristo Servo, que veio para servir e não para ser servido. O ministério do diácono é voltado para o serviço à comunidade. A estola atravessada no peito mostra a horizontalidade de suas funções. A Lumem Gentium diz que: servem o povo de Deus na diaconia da liturgia, da palavra e da caridade (LG 29). Na liturgia eucarística, o diácono tem funções próprias: servir o altar, proclamar o Evangelho, fazer a homilia, quando autorizado pelo padre, convidar para o abraço da paz, purificar os vasos sagrados e fazer a despedida. Também são funções do diácono:

- Instruir e exortar o Povo de Deus e incentivar a participação correta e efetiva da igreja da divina liturgia;

- Conservar e administrar a eucaristia;

- Administrar solenemente o batismo;

- Assistir e abençoar o matrimônio;

- Realizar o rito funeral e da sepultura;

- Administrar os sacramentais;

- Atuar, preferencialmente na caridade;

- Assistir a comunidade carente;

- Participar da administração diocesana ou paroquial;

O exercício do ministério

Pode exercer seu ministério em qualquer lugar do mundo, afinal de contas ele recebeu um sacramento válido e a Igreja é una, santa, apostólica e católica, ou seja, é UNIVERSAL. No entanto, o diácono está intimamente ligado ao bispo diocesano, a quem deve plena obediência e que o autoriza ao exercício do seu serviço para o bem do Povo de Deus. O bispo pode colocá-lo como auxiliar de um pároco, contudo, ele tem a faculdade de auxiliar em outra paróquia, desde que disponha de tempo e tenha a autorização tanto do bispo quanto do titular competente. O ministério diaconal não se subordina ao ministério presbiteral (padre), mas, como àquele, ao ministério episcopal, ou seja, ao bispo ordinário da diocese em que se encontra incardinado (autorizado a exercer seu múnus diaconal). Além dos trabalhos paroquiais, o diácono pode exercer trabalhos de outra natureza, compatíveis com sua vocação e competência, uma vez que é ínsito ao serviço, na Igreja, o governo e a administração.   

A vida matrimonial do diácono

Os documentos de Santo Domingo nos dizem que o diácono permanente é o único a viver a dupla sacramentalidade - da ordem e do matrimônio. Um não elimina o outro. A vida matrimonial é portanto vivida em sua plenitude. Esta é a razão pela qual a esposa tem que autorizar, por escrito, e de viva voz, no momento da ordenação. O bispo pede a sua autorização para ordenar seu marido. A vocação do diácono permanente é uma vocação familiar e não pessoal, a esposa é um esteio para o bom desempenho da vida diaconal. Ela deve viver com ele esta diaconia, os filhos devem apoiar o pai e saber que a ausência dele, em alguns momentos, é para o bem da comunidade e da própria família. Sustento do diácono  

O diácono pode ser remunerado ou não, como outros membros do clero (bispos e padres). No Brasil, para se evitar a mercantilização do ministério, o trabalho do diácono é uma doação à Igreja. Por isso, ele não recebe salário, mas pode ser ressarcido de todos os gastos que venha a fazer como, por exemplo, com o combustível que gasta em suas locomoções no exercício de seu ministério. O diácono, além de nada receber, presta ajuda pecuniária à paróquia onde atua ("pagar o dízimo"). Essa realidade precisa ser mais bem trabalhada, pois, dependendo do caso concreto, melhor seria aproveitar a mão de obra competente do diácono, que contratar leigos a preço de mercado.