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Igreja na Nicarágua condena agressão a bispos e sacerdotes

Depois da agressão física e verbal na Basílica em Diriamba e em Jinope, a Igreja na Nicarágua suspendeu a mediação que fazia na crise que abala o país desde abril.

10/07/2018 16:34:00


A Conferência Episcopal da Nicarágua, mediadora do diálogo nacional, suspendeu as rodadas de negociação criadas para superar a crise vivida no país, depois da agressão física sofrida por bispos na Basílica de San Sebastián, na cidade de Diriamba, e que causou consternação no país.

“A Igreja na Nicarágua repudia e lamenta profundamente a agressão física e verbal que foram objeto neste dia na Basílica o cardeal Leopoldo José Brenes, arcebispo de Manágua, Dom Silvio José Báez, bispo auxiliar, o núncio apostólico Dom Waldemar Somertag, representante do Santo Padre na Nicarágua”, diz um comunicado do episcopado.

De fato, no dia 09 de julho, um grupo de paramilitares irrompeu violentamente na Basílica, agredindo os bispos e jornalistas presentes. A agressão ocorreu quando os bispos estavam em Diriamba, 42 quilômetros ao sul de Manágua, para libertar um grupo de enfermos e missionários franciscanos sitiados por paramilitares no templo.

“A delegação – explica a nota – cumpria a missão de Jesus Cristo, estar ao lado do povo sofredor, uma visita pastoral aos sacerdotes e fiéis da região de Carazo, vítimas de policiais, paramilitares e turbas que provocaram a morte e a dor”.

A tensão já era alta quando a delegação da Igreja Católica, acompanhada pela Associação Nicaraguense pelos Direitos Humanos, entrou na praça central de Diriamba onde está situada a basílica, que estava cercada por aproximadamente 200 encapuzados paramilitares e dezenas de policiais fortemente armados, alguns deles também com os rostos tapados. Com a chegada da delegação, os policiais fardados retiraram-se, abrindo espaço para civis simpatizantes de Daniel Ortega e forças paramilitares. Mais tarde, ocorreu a invasão da Basílica.

De volta à capital Manágua, o cardeal Leopoldo Brenes, após uma oração na Catedral Metropolitana, disse que “sentimos essa ação, dura, forte e brutal contra nossos sacerdotes. Nunca havíamos visto algo assim na Nicarágua e realmente é muito triste”.

“Fomos às paróquias não para cometer violência, mas para consolar nossos sacerdotes, para acompanhá-los no sofrimento, no entanto, recebemos esta agressão e todos nós sofremos por Cristo”, comentou.

O episcopado também denunciou que um templo católico na cidade de Jinotepe foi profanado por um grupo de paramilitares.

“Na tarde de hoje, forças paramilitares profanaram o templo e agrediram os sacerdotes Jalder Hernández e Eliseo Hernández, na paróquia Santiago em Jinope. Que o Senhor tenha piedade dos tolos e insensatos”.

A agressão aos bispos e sacerdotes é mais um capítulo da crise sócio-política pela qual passa o país centro-americano, a mais grave desde a década de 1980. Relatos oficiais dão conta de que 320 pessoas já morreram desde 18 de abril passado, quando iniciaram os protestos contra o governo de Daniel Ortega.

Vatican News