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CATEDRAL NOSSA SENHORA DE BELÉM: dois séculos de presença da Igreja em Guarapuava

E os dois séculos de existência da Catedral, da maior diocese do Paraná, já vêm sendo comemorados com muita alegria e orações desde novembro de 2017, quando então, se iniciaram os festejos jubilares.

09/11/2018 17:50:00


No próximo dia 11 de novembro, a Catedral Nossa Senhora de Belém, em Guarapuava, completa seus duzentos anos de fundação. Por noventa e sete anos, a partir do momento em que foi instituída, a comunidade paranaense era a maior paróquia do Estado, sendo elevada à condição de Catedral no dia 16 de dezembro de 1965, quando então, através da Bula “Christi Vices”, era criada a diocese de Guarapuava.

E os dois séculos de existência da Catedral, da diocese que é, atualmente, a maior diocese do Paraná, já vêm sendo comemorados com muita alegria e orações desde novembro de 2017, quando então, se iniciaram os festejos jubilares.

Com o tema “Meu espírito exulta de alegria” (Lc, 1,47), centenas de pessoas estão envolvidas nas comemorações do jubileu dos duzentos anos da Catedral Nossa Senhora de Belém.

COMEMORAÇÕES

No dia 03 de novembro, sábado, às 14h, uma carreata passando por todas as paróquias do decanato centro, abre as festividades. Na quinta-feira, dia 08 de novembro, às 19h15, haverá encerramento da Novena Maria Passa na Frente e também, a primeira missa do tríduo, na Nova Catedral. Após a celebração, haverá barraquinhas de doces e salgados.

Dia 09 de novembro, sexta-feira, as festividades começam às 09h, com bênção dos veículos. Os sacerdotes ficarão na Rua Senador Pinheiro Machado, uma quadra antes da porta principal da Catedral Nossa Senhora de Belém, centro da cidade. Quem passar pelo local e quiser, poderá ter seu veículo abençoado por um dos padres da diocese. A bênção dos veículos se encerra às 17h.

Também no dia 09 de novembro, às 19h15, haverá uma missa com a “Noite de Luz”, no segundo dia do tríduo. A celebração será presidida pelo padre Marcos Miranda, da TV Evangelizar. Após a missa, os presentes poderão prestigiar as barraquinhas de doces e salgados que estarão montadas no pátio da Catedral.

Em 10 de novembro, sábado, às 19h15, haverá a celebração do terceiro dia do tríduo em preparação para o jubileu dos duzentos anos da Catedral Nossa Senhora de Belém. Depois da missa, o cantor católico Diego Fernandes fará um show. A entrada é franca e todos são convidados a participar.

No dia 11 de novembro, as comemorações começam com a missa festiva dos duzentos anos, às 09h30. Ao meio-dia, será servido um almoço festivo à base de churrasco e à tarde, os participantes poderão aproveitar as diversas atividades preparadas para os festejos dos dois séculos de fundação da Catedral Nossa Senhora de Belém enquanto paróquia, em Guarapuava.

HISTÓRIA DA CATEDRAL

No Brasil, como em muitos países, a maioria das cidades foi fundada no entorno de uma Comunidade Católica. Grande parte destas cidades têm nomes de santos ou algo que remeta ao Cristianismo, ao Catolicismo, em si. Com Guarapuava não foi diferente. Embora a cidade não leve o nome de santo, o catolicismo está tão arraigado na história do município que é impossível separar uma situação da outra.

A hoje paróquia e catedral Nossa Senhora de Belém foi ponto chave para que os aspectos físicos da cidade tivessem melhor direcionamento.

Muitos acontecimentos que até certo ponto seguiam paralelos, em dado momento se entrecruzaram a partir da presença da Igreja na cidade e, assim, à forma de unicidade, seguiram até os dias atuais.

IMAGEM DA SANTA

Segundo a oralidade popular, a imagem de Nossa Senhora de Belém veio de Portugal em 1818, trazida por Laura Rosa da Rocha Loures. A caminho da Região, a expedição foi atacada por índios Kaigangs, às margens de um rio. Naquele instante, Laura fez a promessa de que, se conseguisse sobreviver ao ataque, construiria uma capela para homenagear Nossa Senhora. A mulher foi ferida, mas sobreviveu, apesar de muitos da expedição terem perdido suas vidas no ataque. Desta forma, o rio onde a batalha ocorreu às suas margens, passou a ser chamado de Rio das Mortes, atualmente, ponto de referência para o município e toda a Região.

Em se tratando da construção da Igreja, esta já estava nos planos do vigário curitibano e grande evangelizador que atendia à região. Seu nome era Francisco das Chagas Lima, o Padre Chagas.

Vale destacar que no entendimento de Padre Chagas, a comunidade se uniria cada vez mais com a construção da nova igreja, tornando a região um lugar de destaque no Estado e no Brasil que, à época, passava a se voltar para o interior com interesses visíveis e necessários de povoação e domínios territoriais. Com este intuito, ele próprio elaborou o projeto arquitetônico e estrutural da Catedral, buscou recursos através de doações da comunidade, principalmente financiamento político e, em 1819, conseguiu inaugurar a Igreja que, a partir de então passou a ser ponto referencial na cidade.

NOVA CATEDRAL

Há dezoito anos, um sonho de muitos ganhava formas em Guarapuava. Era o início da construção da Nova Catedral Nossa Senhora de Belém. Atualmente a obra está em fase de acabamento.

Todos os grandes projetos do mundo começaram com sonhos e com necessidades. As necessidades e os sonhos são verdadeiras molas propulsoras em se tradando de edificações. Com a construção da Nova Catedral Nossa Senhora de Belém, em Guarapuava, não foi diferente. A partir do sonho de muitos e também da necessidade de um local de acolhida amplo e condizente com a representatividade e importância da diocese para a Igreja Católica, tiveram início, ainda em 1997, os pré-projetos da construção.

A escolha do local, os estudos das condições do terreno, os projetos para a arrecadação de fundos necessários para a edificação da nova obra, passaram por muitos estágios e divergências, mas, no fim do ano de 1999, as sondagens e escavações para a construção da nova igreja tiveram início.

Assim que chegou à diocese de Guarapuava, vindo de Cascavel, em 1996, e assumiu as funções de pároco da Catedral Nossa Senhora de Belém, o padre José de Paulo Bessa contou que foi preciso dar início às obras de reforma e reestruturação dos prédios no entorno da Catedral. Ele também destaca que a igreja antiga precisou passar por reforma e melhorias. No entanto, os pensamentos e intenções, conforme rememora, diziam-se da necessidade de se começar, o quanto antes, as obras da Nova Catedral. A escolha do local para que a igreja fosse construída foi motivo de grande debate. Por fim, ficou decidido que a nova obra seria erguida no mesmo terreno da Catedral Antiga.

Paralelo aos estudos do terreno, em 1998, uma espécie de concurso entre os arquitetos de Guarapuava foi criado para que as maquetes da nova obra fossem apresentadas.

Muitos profissionais, de imediato, começaram a trabalhar em seus projetos esboçando assim, seus pensamentos e ideias no sentido de contribuir ativamente para com a construção da nova igreja. Ao final, a maquete escolhida em consenso entre todos os concorrentes, foi a apresentada pelo arquiteto Paulo Ernesto Siqueira Martins. 

O projeto, que tem as formas do Espírito Santo com suas asas abertas sobre a cidade, une modernidade e religiosidade fazendo com que a construção se apresente harmoniosa e bela ocupando lugar de destaque em Guarapuava, sem inibir ou ofuscar a beleza da Antiga Catedral.

Mas, segundo os idealizadores do projeto, os percalços foram muitos na trajetória de mais de dezoito anos de construção da Catedral.

O grande desafio, de acordo com padre Bessa, foi em relação a não danificar a Catedral Antiga que é um marco na história da cidade e região. Boatos à época davam conta de que haveria a necessidade de se demolir a igreja antiga para que a outra fosse erguida. O assunto maldoso passou a fazer parte das rodas de conversa na cidade e gerou muita polêmica e especulações. Com explicações verdadeiras do que estava acontecendo, segundo contou padre Bessa, pároco à época, foi possível fazer com que todos entendessem que jamais, em momento algum, sequer se cogitou a possibilidade de demolir a Catedral já existente. “Nunca passou pela cabeça de ninguém cometer um erro desta natureza. Jamais se falou em demolir a antiga Catedral. Nós tivemos sim, muitos desafios quanto a manter intactas as estruturas da igreja, pois esta não tem alicerces profundos no chão. Era como se construía naquela época. Foi preciso sim, de muitos estudos e trabalhos técnicos para que as estruturas do que já existia não fossem abaladas. Conseguimos. Não houve sequer uma rachadura nas paredes da Catedral Nossa Senhora de Belém para que a outra fosse construída no local”, detalhou padre Bessa em entrevista.

Com riqueza de informações e apresentando dados técnicos, Bessa explicou aiinda, que o projeto da Nova Catedral foi aprovado com a exigência de existir um estacionamento subterrâneo na edificação. No local, há muitas vertentes de água e nas proximidades, passa um rio que não podia ser desviado. O grande trabalho de engenharia foi no sentido de canalizar a água para que ela não prejudicasse a construção no futuro.

Uma empresa especializada foi contratada em Curitiba para fazer a fundação e implantar as sessenta e cinco colunas que dão sustentação à obra. Os trabalhos foram muito delicados, segundo relatórios, pois não se podia correr o risco de danificar a igreja antiga. As perfurações foram feitas com bate-estacas, técnica que elimina grande parte das vibrações do terreno no entorno. Com isso, as colunas foram construídas, a água foi canalizada e os trabalhos, então, tiveram sequência. Já era o ano de 2000.

“Foi um trabalho dificílimo a construção da fundação da Nova Catedral. Graças às técnicas e também ao profissionalismo das pessoas envolvidas no projeto, conseguimos sair da parte mais complicada que era a fundação. A partir de então, os desafios foram outros. Estes, no sentido de arrecadar recursos para que as obras não parassem. Durante o período em que trabalhei como pároco da Catedral, juntamente com a comunidade, foi possível dar grandes passos na construção da nova igreja. Isto é motivo de muitas alegria para todos os que participam ativamente desta obra”, classificou padre Bessa.

Padre José de Paulo Bessa trabalhou como pároco da Catedral Nossa Senhora de Belém de agosto de 1996 a novembro de 2007.

AS OBRAS PROSSEGUEM

Quando chegou a Guarapuava e assumiu seus trabalhos como pároco na Catedral Nossa Senhora de Belém no fim do ano de 2007, vindo da paróquia Sant’Ana em Pitanga, padre Acácio Evêncio de Oliveira tinha pela frente um grande desafio que era dar sequência às obras da Nova Catedral.

As dificuldades financeiras se mostraram como os grandes obstáculos a serem vencidos, conforme explicou padre Acácio em entrevista. Ele, por sua vez, pontua a generosidade das pessoas de Guarapuava como fator fundamental para que os trabalhos de construção da nova igreja não parassem. “Graças a Deus, pudemos contar com a generosidade do povo de Guarapuava que já vinha ajudando e que nunca deixou de contribuir para com as obras da nova Catedral. Tivemos muitas dificuldades na sequência deste trabalho e entendemos as dificuldades pelas quais as pessoas passam no país”, ressaltou padre Acácio na ocasião.

CAMPANHAS

Com campanhas bem elaboradas que falaram diretamente ao coração das pessoas e muita dedicação por parte dos envolvidos com o projeto, hoje se pode dizer que a data de conclusão das obras está próxima. Atualmente, os esforços são para a realização da pintura externa da Catedral.

PEQUENOS PASSOS

“São nos pequenos passos que se percorrem grandes distâncias”, segundo o dito popular. Esta definição cabe perfeitamente se aplicada à construção da nova Catedral Nossa Senhora de Belém, em Guarapuava.

Além da campanha constante a fim de arrecadar recursos para que as obras não parem, em julho de 2015, foi lançada também a campanha “Doe um Banco”. O objetivo desta campanha era arrecadar dinheiro suficiente para que os novos bancos pudessem ser fabricados e instalados no sentido de oferecer maior conforto a quem participa das celebrações. Até então, as pessoas que participavam das missas e reuniões realizadas na Catedral inacabada, precisavam se acomodar em cadeiras de plástico que eram montadas de forma provisória no local.

Mais uma vez a comunidade respondeu ao pedido e passou a doar os recursos necessários. A empresa que fabricou os bancos aceitou que os pagamentos fossem feitos de forma fracionada e, no final de dezembro de 2015, todos os bancos em madeira maciça foram montados.

Além dos bancos, trabalhos de acabamento como detalhes no piso, instalação do forro e o projeto de iluminação também foram concluídos.

ESTÉTICA

Com a vasta fachada em vidro, a luz que incide na Nova Catedral é transformadora fazendo com que as lâmpadas figurem apenas como adereços durante o dia, pois a claridade natural tem cem por cento de aproveitamento. A Igreja é considerada por arquitetos e engenheiros especialistas em obras sacras como uma das que têm maior aproveitamento de luz solar. Isto, além de gerar muita economia em se tratando de consumo de energia elétrica é tida como uma dádiva em se tratando de beleza arquitetônica.

TROCA DE PÁROCO

No dia 04 de maio deste ano (2018), padre Acácio Evêncio de Oliveira deixou suas funções de pároco da Catedral Nossa Senhora de Belém. Em seu lugar, assumiu o padre Jean Patrik Soares, que deu sequência aos projetos de acabamento das obras da nova Catedral Nossa Senhora de Belém.

Padre Jean destacou que dentre suas prioridades enquanto pároco; estavam as comemorações dos duzentos anos da Catedral enquanto paróquia e também a conclusão das obras da nova Catedral Nossa senhora de Belém, que foi iniciada em 1997.