segunda-feira, 14 de outubro de 2019

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Irmã Nahir Maria Wheschenfelder celebra 60 anos de vida religiosa

Poucos são os que ouvem o chamado latente do coração e se lançam em águas mais profundas, indo ao encontro da vocação e do propósito para o qual Deus, em sua infinita bondade, pavimentou os caminhos.

26/07/2019 09:21:00


Quando deixamos do ventre de nossa mãe e nossos olhos recebem o impacto da luz, sentimos que um grande desafio nos foi lançado. Sim, viver é o maior de todos os nossos desafios, embora não pensemos muito nisso no decorrer de nosso tempo sobre a terra.

Com o passar dos anos, na maioria das vezes, deixamos de lado sonhos, desejos, anseios e vivemos uma vida mediana, tentando driblar os desafios que surgem, em vez de encará-los com amor, com paixão e com leveza espiritual.

Poucos são os que ouvem o chamado latente do coração e se lançam em águas mais profundas, indo ao encontro da vocação e do propósito para o qual Deus, em sua infinita bondade, pavimentou os caminhos. Esse mesmo Deus, repleto de sabedoria, insere, todos os dias, os obstáculos necessários no traçado deste caminho para que nos tornemos fortes e para que cresçamos como seres humanos feitos à Sua imagem e semelhança.

Nesta oportunidade, falaremos um pouco sobre irmã Nahir Maria Wheschenfelder, da congregação Companhia de Santa Teresa de Jesus (CSTJ) – Teresianas.

Irmã Nahir, há 60 anos (em 18 de agosto de 1959), aceitou o desafio da vida oferecido pelo Criador e se lançou em mar aberto numa busca incessante pela felicidade e por servir de corpo e alma aos que mais precisavam de sua consolação.

Aos 76 anos, a religiosa esbanja lucidez e alegria pela vocação que escolheu (ou pela qual foi escolhida?). E com este mesmo amor que há 60 anos dedica-se às causas de Jesus Cristo, ela contou sua história ao Centro Diocesano de Comunicação (CDC) nesta matéria especial por conta de seu jubileu de seis décadas de vida religiosa.

SOBRE IRMÃ NAHIR

Nahir Maria Wheschenfelder é do Rio Grande do Sul e nasceu no dia 08 de dezembro de 1942. É a quarta filha de Sibila Weschenfelder e Nicolau Afonso Weschenfelder, numa família de nove filhos. (Hoje, são 08, um morreu).

Conforme conta a religiosa, sua vocação surgiu desde antes de dez anos de idade, participando dos eventos da Igreja em sua comunidade, principalmente com a visita de padres, irmãos e irmãs na escola. Ela salienta que os padres e as freiras sempre incentivavam a vocação religiosa e sacerdotal no lugar onde morava com sua família. 

Nessas oportunidades, Nahir se sentia feliz e prestava atenção em tudo o que era dito pelos palestrantes. Aos poucos, ela foi se sentindo motivada a fazer uma experiência naquele estilo de vida. Os religiosos passaram a visitar sua família e detalhar sobre como é a vida no contexto da Igreja, bem como são as dificuldades e deve ser o desprendimento de quem opta por seguir a Jesus Cristo.

Devotos, os membros da família rezavam o terço todos os dias em casa. Da mesma forma, todos participavam na comunidade, ajudando nas missas, terços e demais trabalhos aos domingos. Seus pais sempre incentivavam os filhos a escolher a opção de vida que os fizessem felizes.

A liberdade de escolha surtiu efeito. Da família de nove irmãos, seis mulheres se tornaram religiosas (irmãs) Teresianas e um dos irmãos que também optou por servir à Igreja, tornou-se consagrado (irmão) da Congregação das Escolas Cristãs.

Nahir conta com tristeza que os pais já morreram, mas se alegra ao ressaltar que a união da família foi um dos mais belos legados deixados por eles. “Meus pais já são falecidos, mas os irmãos são muito unidos”, abrevia.

A jovem Nahir, conforme contou, fez a opção pelas irmãs Teresianas depois de receber um convite de uma prima que já estava na congregação. Seguindo o mesmo caminho, as outras cinco da família optaram pela mesma congregação.  

FORMAÇÃO

Depois da opção pela vida religiosa, Nahir dedicou-se com afinco aos estudos. Ela fez toda sua formação em Porto Alegre (RS). Depois dos primeiros votos, a jovem religiosa passou a exercer sua missão em diversas regiões do Estado gaúcho. Santa Maria, Itaqui, Santana do Livramento, Erechim, Colégio de Porto Alegre e Morro das Pedras, foram alguns dos lugares por onde Nahir passou, sempre deixando seu carisma e amor. Em Morro das Pedras, em específico, um bairro muito pobre e violento de Porto Alegre, irmã Nahir desenvolveu um grande trabalho pastoral com as famílias e catequese. Já em Erechim, no Norte do Estado, ela assumiu um Projeto Social, reativou a Pastoral da Criança com visitas regulares às famílias e passou a acompanhar o padre nas celebrações das comunidades do interior.

Todo o trabalho desenvolvido no Rio Grande do Sul, segundo sublinha, instigou na religiosa uma vontade de fazer sempre mais pelos necessitados, pelas pessoas que, na maioria das vezes, já perderam todas as esperanças.

Alçando voos pastorais mais ousados, irmã Nahir foi para o Estado do Maranhão, na Região Nordeste do Brasil, onde atuou nas cidades de Imperatriz e Davinópolis. Lá, ela permaneceu por 13 anos.

Durante o período em que esteve no Maranhão, a religiosa desenvolveu inúmeras atividades em se tratando de catequese, grupos de jovens e projetos sociais considerados vitais envolvendo crianças entre quatro e seis anos.

Sentindo o chamado cristão e percebendo a necessidade da comunidade, irmã Nahir e outras freiras de sua congregação, assumiram os trabalhos de uma paróquia que na ocasião, não contava com a presença de um padre. Lá, as religiosas mantiveram a união da Igreja e, motivadas pela missão, criaram seis novas comunidades no entorno. Três das novas capelas ficavam no interior do município, conforme conta irmã Nahir. “Nós, irmãs, assumimos os trabalhos na paróquia onde não havia padre. Lá, junto com as pessoas do lugar, formamos outras seis comunidades. Destas, três eram no interior e, para chegarmos lá, era preciso andar por quatro horas, uma vez que não havia meio de transporte disponível”, relembra a religiosa.

GUARAPUAVA

Em 2014, irmã Nahir chegou a Guarapuava para desenvolver seus trabalhos junto à Igreja local. Segundo contou em entrevista, ela começou por conhecer o povo e a realidade local, tentando entender onde haveria mais necessidade de sua atuação. “Cheguei a Guarapuava em 2014 e comecei conhecendo a cultura do povo, os trabalhos pastorais. Entendendo as necessidades, eu optei por trabalhar na Pastoral da Criança, com os Círculos Bíblicos, nas visitas às famílias, com o Clube de Mães, com a Tenda da Misericórdia e celebração da Palavra. Foi me sugerido assumir a formação bíblica na capela Nossa Senhora de Belém, que pertence à paróquia Santos Anjos. Aceitei e junto das pessoas fizemos um bom trabalho, atuando nas visitas às famílias durante a Semana Santa e no Tríduo Pascal”, rememora.

Dentre os trabalhos missionários na diocese de Guarapuava, no ano de 2014, irmã Nahir preparou as atividades da Semana Santa nas comunidades do interior da paróquia Santa Clara, em Candói. Ela relembra que esta foi uma experiência que deu muitos resultados positivos e deixou saudade, pois lhe propiciou conhecer ainda mais a realidade da diocese, remetendo-a ao início de suas atividades religiosas, no Rio Grande do Sul.

AGRADECIMENTO

No momento em que celebra seus 60 anos de vida religiosa, irmã Nahir diz se inspirar na frase: “Animados pela caridade que o Espírito Santo infunde nos corações” (Rm 5, 5), para levar adiante a missão que lhe foi confiada: “Os consagrados e consagradas abraçam, pois, o universo e se convertem em memória do amor trinitário. São, portanto, mediadores de união e unidade de Cristo, solidários com a humanidade em seu trabalho e na busca silenciosa do Espírito. A vida religiosa na Igreja hoje deve continuar apoiada em três pilares: Evangelho, Profecia e Esperança. Venham comigo agradecer e louvar a Deus pelo chamado que me fez para me consagrar como religiosa na Igreja. Convido você, sua família e as congregações religiosas a participarem da Celebração Eucarística na Paróquia Santos Anjos, dia 18 de agosto, às 10 horas”, grifou irmã Nahir.

SOBRE A CONGREGAÇÃO

A Companhia de Santa Teresa de Jesus é uma Congregação Religiosa que faz parte de uma família que nasceu em 1876, na Catalunha, Espanha, graças a um homem de fé, seriamente preocupado pelos grandes problemas que afetavam a sociedade do seu tempo: diminuir tanto analfabetismo atendendo, sobretudo, às meninas e mulheres devido à grande disparidade em se tratando de oportunidades na vida.

A experiência de Teresa de Jesus inspirou santo Henrique de Ossó, que passou a apostar nas capacidades das mulheres e a abrir-lhes horizontes, tirando-as assim, do mundo diminuto restrito às quatro paredes das casas em que eram obrigadas a viver.

Sua visita de apóstolo teresiano, em 1883, a Portugal, provocou a primeira saída da fronteira espanhola. Em princípio, a missão situou-se na região de Fraga, diocese de Viseu, em 1884. Depois, o grupo foi marcando presença em outros lugares do País, como: Torres Novas, Santa Cristina do Couto, São Martinho do Campo (Santo Tirso), dentre outros lugares de Portugal.

Em 1910, com a expulsão das ordens e congregações religiosas do País, surgiu o tempo da diáspora para este grupo de teresianas, forte e cheio de pujança. Outras missões, em outros Países, as chamaram.

Nesta época, a congregação chega ao Brasil e dá início aos seus trabalhos. A Companhia de Santa Teresa de Jesus ganhou raízes nesta parte da América e, conforme seus integrantes, os frutos começaram a aparecer à forma de benesses para as pessoas.

Anos depois, algumas religiosas retornaram à Europa, fazendo o caminho inverso, instalando-se em Portugal, numa retomada da missão interrompida por conta de situações alheias à sua vontade.

“Em 1924, nosso regresso foi ainda na clandestinidade. À época, nos fixamos em Elvas (Portugal). Foi uma verdadeira aventura nascida do entusiasmo dos antigos alunos e alunas. Foi o reinício de uma nova etapa, que, pouco a pouco foi se multiplicando com a presença de mais pessoas. Aí, o trabalho se estendeu por Braga, Portalegre, Coimbra, Porto, todas essas atividades vinculadas à Província Sagrado Coração, do Centro da Espanha”, diz um trecho do histórico da congregação.

Em 1945, o Capítulo Geral constituiu a Província Maria Imaculada, com a autonomia que as Constituições conferem.

A partir de então, foi-se configurando a Província nascente, com o Noviciado e a Casa Provincial, em Braga.

Em Lisboa a Comunidade acolhia e enviava as irmãs que faziam o caminho entre a América e a Espanha.

DESAFIOS

Desde 1949, muitas Irmãs rumaram à África, fixando-se em Angola, para dar corpo à dimensão missionária. Ali foi crescendo o número de novas vocações nativas. Até se constituir a Província Nossa Senhora Rainha em 1968.

Em Portugal, a congregação diversificou suas obras, passando a trabalhar em várias frentes de ajuda aos mais pobres.

A partir de 1974, as teresianas marcaram presença em zonas rurais e no interior de Portugal. “Hoje, nossa presença é pedida nas periferias das grandes cidades. Sempre que possível, marcamos presença, sem nunca fugir do nosso horizonte de educadoras, seguindo o            que pregava Henrique de Ossó: ‘Ir ali onde correm mais perigos os interesses de Jesus’”, pontua outro trecho do histórico da congregação.

GUARAPUAVA

Em Guarapuava, as teresianas chegaram em 2002 e desenvolveram seus trabalho junto à paróquia Sant’Ana, até 2008, quando transferiram suas tarefas para a paróquia Santos Anjos, Bairro São Cristóvão, onde permanecem até hoje.

A família Teresiana também é composta por leigos que comungam e vivem o mesmo Carisma nos 23 países onde atuam.

Atualmente, quatro religiosas desta congregação moram e trabalham em Guarapuava. São elas: irmã Ema Ilsi Sidel, irmã Gentil Macagnnam, irmã Celita Haefliger e irmã Nahir Maria Weschenfelder.

Se você ficou motivado a conhecer o trabalho dessas religiosas na diocese, sinta-se à vontade para fazer uma visita.

A casa das Irmãs Teresianas está situada na Rua Santa Teresa de Jesus, 314, Bairro São Cristóvão, Guarapuava (PR). O telefone é: 42 3035 7079.

Fotos: Walter Unger

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