terça-feira, 4 de agosto de 2020

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EDITORIAL: Um tempo atípico para ser lembrado e combatido

O Coronavírus (Covid-19) chegou e mudou tudo em nossas vidas. Ninguém está totalmente seguro e o cuidado ainda é o melhor dos remédios. Ficar em casa é a frase de ordem no mundo inteiro.

24/03/2020 10:31:00


Neste mês de abril, edição de número 487 do jornal A Igreja na Diocese de Guarapuava (Boletim Diocesano), havia muita coisa boa a ser noticiada, ações da nossa Igreja que merecem destaque, mas algo maior e amedrontador cerceou nossos planos.

No período de preparação para a Páscoa do Senhor, um momento onde a vida deve ser celebrada com efusão, precisamos nos distanciar das pessoas e, neste isolamento, esperar que tudo passe.

O Coronavírus (Covid-19) chegou e mudou tudo em nossas vidas. Ninguém está totalmente seguro e o cuidado ainda é o melhor dos remédios. Ficar em casa é a frase de ordem no mundo inteiro. Não podemos desobedecer, não devemos ser ignorantes de infringir esta regra necessária para a preservação da vida, nosso mais precioso bem.

Em meio a esta pandemia desenfreada, será que ainda sobra espaço em nossas vidas, em nossos corações para Deus? Será que em nossa reclusão temos um tempinho para pensar no criador e proferir palavras que não sejam de lamento?

Em todas as situações, devemos enxergar o lado bom. Há sim o lado bom nesta pandemia, como por exemplo, o convívio e o cuidado para com a família. Pessoas que mal se viam durante o dia, agora precisam estar juntas e, muitos, pela primeira vez, se conhecem de verdade. Intimidades vêm à tona e quando se sabe mais sobre o outro, há mais espaço à compreensão, ao amor.

A restrição de espaço, a delimitação de território para evitar que o vírus se espalhe, tem o poder de fazer com que nos aproximemos, um pouco mais, de quem de fato nos interessa, nossa família. Por outro lado, ficar distante fisicamente de pessoas que fazem parte de um grupo de risco, como os idosos, por exemplo, é um gesto de apreço e de amor verdadeiro. Ficar distante é se importar com a vida do outro e isso precisa ser levado em consideração, pois Deus está na vida e a quer em abundância.

Informações falsas chegam aos montes pela internet, pelas redes sociais. Por vez, a tormenta nem tomará aquelas proporções, mas fazemos questão de evidenciar o lado sombrio. Isso não é divino. Isso não é correto. Estamos todos neste navio e tempos que remar no tempo certo para que cheguemos à outra margem sãos e salvos.

Que neste período difícil, dolorido, apreensivo e tenso, possamos compreender o verdadeiro valor de se estar em família, o quão belo é fazer parte de uma sociedade. Aproveitemos este momento falando, refletindo e fazendo coisas interessantes, coisas simples, é verdade, pois Deus está na simplicidade, mas que nos elevem e nos façam sentir que viver é o que de fato importa.

A Páscoa vai chegar e que o tempo de reclusão seja, para cada um de nós, um tempo de renascimento, de reflexão. Aproveitemos, pois, os próximos meses, os próximos anos para sermos pessoas melhores, mais sensíveis. Pessoas que se importam com outras pessoas, com a cidade onde moram, com a beleza de se estar vivo e com saúde.

Amigos leitores, este é um editorial atípico, pois esta é uma edição atípica. Mas vamos acreditar que há um propósito em tudo, pois se não houvesse, que sentido teria a morte de Jesus Cristo na Cruz?

Rezemos juntos para que na próxima edição tenhamos boas novas. A fé e o compromisso são agentes transformadores em nossas vidas.

Unidos em oração, peçamos a Deus, a Jesus Cristo, filho unigênito, por intercessão de Nossa Senhora de Belém, nossa padroeira, para que os caminhos da paz, da perseverança e do amor, se abram. E que nesta passagem por este caminho único, possamos deixar nossa candura, nosso agradecimento e nossa leveza no trajeto.