terça-feira, 4 de agosto de 2020

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Dom Guilherme Werlang alerta que a caridade ganha centralidade na ação cristã

Não temamos que essas despesas diminuam nossos recursos, porque a benevolência é uma grande riqueza e não podem faltar meios para a generosidade onde Cristo alimenta e é alimentado.

25/03/2020 11:31:00


Em artigo, o bispo da diocese de Lages (SC), Dom Guilherme Werlang, chama a atenção para voltarmos nosso foco para a Quaresma, um dos tempos mais importantes da liturgia cristã, e deixar um pouco de lado o “Coronavírus”.  A Quaresma, segundo Dom Guilherme, é um tempo de revisão de vida, mudança de atos, atitudes, comportamentos e ações, para nos aproximar mais e mais do que Jesus propõe: “vida em abundância para todos” e não só para poucos privilegiados.

De acordo com o bispo, o tripé dos exercícios quaresmais, oração, jejum e caridade, é, sem dúvida, o que hoje a humanidade mais precisa. Para ele, dos três a caridade ou esmola tem destaque porque quem tem estabilidade de emprego, de trabalho, de profissão, de propriedades poderá atravessar a pandemia do Coronavírus, até com relativa facilidade, com direito a permanecer em casa e, muitos, até trabalhar a partir de casa.

O bispo lembra que na outra ponta, há um Brasil com mais de 40 milhões de pessoas em trabalhos informais, sem seguridade, sem receber nada em salário quando não podem trabalhar. “Temos milhares, cuja casa é a rua, a praça, as beiras das rodovias, talvez aí ajuntando latinhas que os sem educação jogam pelas janelas dos carros a trafegar. Temos mais ou menos 13 milhões de desempregados, temos uma multidão que sobrevive e partilha com filhos e netos a pobre e minguada aposentadoria, que ‘para salvar a economia nacional’, segundo o ‘mago’ do ministério mais central do governo, tem que ser diminuída e achatada, sem ganho real”, aponta.

Dom Guilherme compartilhou – abaixo – o que o Papa São Leão Magno, considerado um dos mais expoentes dos Papas da história da Igreja, escreveu em seu pontificado sobre a prática da esmola durante a Quaresma, e em toda vida cristã, entre os anos de 440 a 461. Para o bispo, o Papa Francisco entrará no rol dos maiores Pontífices da história, porque se assemelha muito a Leão Magno e outros, mais ou menos 1570 anos depois.

“O BEM DA CARIDADE”

“Diz o Senhor (Jesus) no Evangelho de João: nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros (Jo 13,35). E se lê numa Carta do mesmo Apóstolo: Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus e todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece Deus. Quem não ama, não chegou a conhecer Deus, pois Deus é amor (1Jo 4,7-8).

Examine-se a si mesmo cada um dos fiéis, e procure discernir com sinceridade os mais íntimos sentimentos de seu coração. Se encontrar na sua consciência algo que seja fruto da caridade, não duvide que Deus está com ele; mas se esforce por tornar-se cada vez mais digno de tão grande hóspede, perseverando com maior generosidade na prática das obras de misericórdia.

Se Deus é Amor, a Caridade não deve ter fim, porque a grandeza de Deus não tem limites. Para praticar o bem da caridade, amados filhos, todo tempo é próprio. Contudo, estes dias da Quaresma, a isso nos exortam de modo especial. Se desejamos celebrar a Páscoa do Senhor com o espírito e o corpo santificados, esforcemo-nos o mais possível por adquirir essa virtude que contém em si todas as outras e cobre a multidão dos pecados.

Ao aproximar-se a celebração deste mistério que ultrapassa todos os outros, o mistério do sangue de Jesus Cristo que apagou as nossas iniquidades, preparemo-nos em primeiro lugar mediante o sacrifício espiritual da misericórdia; o que a bondade divina nos concedeu, demo-lo também nós àqueles que nos ofenderam.

Seja, neste tempo, mais larga a nossa generosidade para com os pobres e todos os que sofrem, a fim de que os nossos Jesus possam saciar a fome dos indigentes e se multipliquem as vozes que dão graças a Deus. Nenhuma devoção dos fiéis agrada tanto a Deus como a dedicação para com os seus pobres, pois nesta solicitude misericordiosa Ele reconhece a imagem da sua própria bondade.

Não temamos que essas despesas diminuam nossos recursos, porque a benevolência é uma grande riqueza e não podem faltar meios para a generosidade onde Cristo alimenta e é alimentado. Em tudo isso, intervém aquela mão divina que ao partir o pão o faz crescer e, ao reparti-lo, multiplica-o.

Quem dá esmola, faça-o com alegria e confiança, porque tanto maior será o lucro quanto menos guardar para si, conforme diz o santo Apóstolo Paulo: Aquele que dá a semente ao semeador e lhe dará pão como alimento, ele mesmo multiplicará vossas sementes e aumentará os frutos da vossa justiça (2Cor 9,10), em Cristo Jesus, nosso Senhor, que vive e reina com o Pai e o Espírito Santo pelos séculos dos séculos.  Amém.”

CNBB