quarta-feira, 5 de agosto de 2020

Dom Amilton

O chamado vocacional

“Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi...” (Jo 15,16)

30/07/2020 10:16:00


O mês de agosto, no Brasil, é dedicado às vocações. Momento especial em que paramos frente à nossa vocação e procuramos aprofundar a beleza e a importância das várias vocações, para a Igreja e para a sociedade. O tema tem sido bastante explorado, mas vale a pena conversar um pouco mais sobre vocação.

No plano de Deus todos nós somos chamados e amados como filhos queridos, e todos temos uma missão a desempenhar neste mundo. Se não respondermos ao nosso chamado e deixarmos de fazer a nossa parte, ninguém responderá por nós e ninguém fará por nós aquilo que deixamos de fazer. Assim, podemos dizer que a nossa vida é um dom e uma responsabilidade.

A vocação não pode ser confundida com profissão. No cerne da vocação está o amor, o serviço e a gratuidade, sem se preocupar com as “horas extras”, remuneração e aposentadoria. Na profissão, o que vale é a aptidão pessoal para exercer um determinado trabalho, preocupa-se com o ter, o salário e as horas de trabalho.  A profissão tem sentido quando é exercida com amor. A vocação testemunhada com fidelidade inspira o exercício da profissão; é um caminho de santidade.

Nem sempre descobrimos com facilidade o projeto de Deus para as nossas vidas. Muitos religiosos (as), sacerdotes, pais e mães de família, descobriram “mais tarde” a sua vocação. Estas são as chamadas “vocações adultas”. Eu mesmo entrei para o seminário com 27 anos de idade; Deus chama quando quer e onde quer.

A vocação exige uma resposta pessoal, consciente e livre ao chamado de Deus; trata-se de uma maneira especial de viver o amor, seguindo a Cristo e fazendo o bem a todos. Os caminhos para viver essa opção são diferentes: o matrimônio, o sacerdócio, a vida religiosa consagrada, a vocação missionária, a laical comprometida com o Batismo...

Ao longo da história da Igreja, vamos ver santos (as) respondendo com alegria à vocação, tais como: Maria, entre 13 e 15 anos; José, entre 17 e 19 anos; Santo Agostinho, aos 33 anos; São Paulo da Cruz, aos 26 anos; Santa Tereza de Calcutá, aos 18 anos, Santa Dulce dos Pobres, aos 13 anos, São Luiz e Santa Zélia (pais de Santa Terezinha), ele tinha 35 anos e ela, 27 anos, quando se casaram... Esses homens e mulheres, abraçaram com convicção e coragem a vontade de Deus. Foram necessárias renúncias, desapegos, lutas internas e externas, para serem fiéis, mas venceram! São modelos para nós de vocação realizada.

Quando encontramos a nossa vocação, não só nos transformamos, mas também transfiguramos as pessoas e o mundo. A vocação acertada gera uma satisfação e realização interna que transborda para todos os lados. É o que Jesus chamou de fermento, sal e luz, na dinâmica do Reino (cf. Mt 5, 13-16.13,33)

Uma boa proposta vocacional para os rapazes é o sacerdócio, o PADRE DIOCESANO. O Bom Pastor é o referencial para o padre: de espiritualidade, pois seu objetivo é fazer a vontade do Pai; de serviço, porque não teme em cuidar e dar a vida pelas ovelhas; de missão, porque caminha à frente guiando, protegendo e abrindo espaço para que as ovelhas cheguem ao seu ideal: a salvação. A diocese de Guarapuava, tem hoje, 55 padres, mas o número é insuficiente para as necessidades e alguns estão prestando serviço à Igreja, em outras dioceses e até no Vaticano. Precisamos rezar, incentivar e apoiar as vocações diocesanas, particularmente na diocese de Guarapuava. Para isso quero lembrar que temos o projeto vocacional EAE PIÁ (acompanhamento, encontros, orações...), a Missa vocacional todas as sextas-feiras, às 18h, live pelo Facebook da diocese e do bispo, e em breve, vamos criar o SAV diocesano, com a participação das Congregações religiosas que atuam na diocese de Guarapuava.

Desejo que este mês vocacional seja marcado pela escuta, obediência e disponibilidade, tanto para aqueles que já descobriram e estão vivenciando a sua vocação e, sobretudo, para aqueles que ainda estão discernindo o convite de Deus. Para todos, vale o lembrete: quanto mais abertos e disponíveis estivermos ao chamado vocacional, mais seremos os autores e protagonistas da nossa história.

 

Dom Amilton Manoel da Silva, CP

Bispo Diocesano