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ARTIGO: Levanta-te e vai, sem hesitar (cf. At 10,20)

Santarém (PA) é conhecida como coração da Amazônia em razão de sua posição geográfica e também por ser banhada pelos dois grandes rios da Amazônia: o Amazonas e o Tapajós.

23/10/2017 08:41:00


Vocação é também testemunho missionário. Neste itinerário, contamos com o Testemunho vocacional e missionário de Dom Esmeraldo Barreto de Farias, bispo auxiliar de São Luiz no Maranhão. Dom Esmeraldo conta-nos sua experiência enquanto bispo na diocese de Santarém no Pará:

Santarém (PA) é conhecida como coração da Amazônia em razão de sua posição geográfica e também por ser banhada pelos dois grandes rios da Amazônia: o Amazonas e o Tapajós.

Cheguei a Santarém em abril de 2007, quando a campanha da fraternidade refletia sobre a Amazônia e trazia como lema: “Vida e missão neste chão”.

Foram cinco experiências missionárias realizadas no final de dezembro e no mês de janeiro.

Quero destacar a experiência na área pastoral de Santa Maria do Uruará: dezoito horas de barco de Santarém. O lema daquele ano foi: “Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38).

Éramos mais de setenta missionários visitando 41 comunidades. Depois de visitar mais de quinze, estava na comunidade de São Francisco do Uruará com alguns missionários seminaristas que deveriam ir até Tamandataí. Após a santa missa, veio uma notícia de que o povo desse lugar não estava esperando os missionários porque a capela estava fechada há mais de três anos e não havia ali lideranças da comunidade eclesial. Ao final da celebração, reuni os missionários seminaristas e algumas pessoas da comunidade onde estava e perguntei: só por que veio essa notícia, vocês vão deixar de ir? Não valeria a pena visitar essas famílias? Então, oferecei a pequena coleta da missa para colocarem combustível na rabeta (canoa com um motor atrás). Foram dez pessoas em duas rabetas.

Logo que chegaram a Tamandataí, perceberam que o ambiente era de tristeza: uma senhora acabara de dar à luz uma criança que logo faleceu. Não tinham conseguido levá-la até o hospital na cidade, pois era difícil para uma pequena lancha atravessar o rio Amazonas. Então, os missionários visitaram aquela família, rezaram com a mãe da criança que chorava muito e as demais pessoas ali presentes. Depois visitaram várias casas e iam convidando todos para rezarem na Igreja, na parte da tarde. Uma equipe, ajudada por alguns missionários, se encarregou de abrir e limpar um pouco a capela que ficou cheia. Uma senhora e um senhor contaram que nunca mais tinham recebido a visita do padre e o povo estava desanimado. O Evangelho daquele momento mostrava a misericórdia de Jesus que proclamou: “Tenho compaixão desse povo”.

Após a experiência missionária, o novo padre que assumiu aquela área pastoral visitou Tamandataí e a comunidade voltou a se reunir.

Para mim, foi uma grande luz do Espírito Santo; Ele que disse para Pedro: “levanta-te e vai sem hesitar”. Na missão, o protagonista é o Espírito Santo, e precisamos estar atentos aos sinais da ação do Espírito de Deus. O missionário é e precisa ser um contemplativo para que tenha força de ir ao encontro das pessoas, em especial daquelas que vivem nas periferias geográficas, existenciais e sociais, manifestando sempre gratuidade. Ir ao encontro das pessoas é uma graça de Deus; precisamos pedi-la sempre e cultivá-la para que, no seguimento a Jesus Cristo, possamos viver a convicção de que a obra é de Deus e, na missão, somos chamados a sermos seus colaboradores.

Um grande abraço a vocês missionários seminaristas e formadores da diocese de Guarapuava e de todo o Paraná. Deus os abençoe e os ilumine no caminho da missão.  

Dom Esmeraldo Barreto de Farias

Arquidiocese de São Luiz - MA