Entrevista

GUARAPUAVA: Pároco da Catedral Nossa Senhora de Belém fala sobre Jubileu dos 200 anos

Em entrevista ao Centro Diocesano de Comunicação (CDC), padre Acácio Evêncio de Oliveira detalha sobre a criação da paróquia e sua importância para a região e para o Estado.

27/10/2017 09:53:00


No dia 11 de novembro de 2018, a Catedral Nossa Senhora de Belém, em Guarapuava, completa seus duzentos anos de fundação. Por noventa e sete anos, a partir do momento em que foi instituída, a comunidade paranaense era a maior paróquia do estado, sendo elevada à condição de Catedral no dia 16 de dezembro de 1965, quando então, através da Bula “Christi Vices”, era criada a diocese de Guarapuava.

E os dois séculos de existência desta que é, atualmente, a maior diocese do Paraná, serão comemorados com muita festa a partir de novembro de 2017, quando então, se iniciam os festejos jubilares.

Em entrevista ao Centro Diocesano de Comunicação (CDC), o pároco da Catedral Nossa Senhora de Belém e vigário-geral da diocese de Guarapuava, padre Acácio Evêncio de Oliveira, falou dos preparativos e da importância de se celebrar o Ano Jubilar da Catedral Nossa Senhora de Belém, não só para a diocese de Guarapuava, mas para o município, para a região e para o Paraná.

Leia a entrevista:

CDC: O que representou, em seu entendimento, a criação da então paróquia Nossa Senhora de Belém para a região?

Pe. Acácio: Eu diria que a criação da Freguesia de Nossa Senhora de Belém foi um divisor de águas para o Paraná. A Igreja, em Guarapuava, foi instalada a partir de uma certidão expedida pelo rei de Portugal, Dom João VI. Nossa comunidade, enquanto povoado, enquanto paróquia nasceu a partir de uma decisão política.

CDC: Gostaria que o senhor falasse um pouco mais sobre esta autorização para a criação de uma nova freguesia nesta região do Paraná...

Pe. Acácio: Pois bem: no início do Século XX, para a criação de uma freguesia, por força do Regime de Padroado, o rei português, à época Dom João VI, primeiramente baixava um Decreto Real, depois, expedia um Alvará que corresponde à certidão de nascimento de uma freguesia; isto é, o surgimento de um povoado que deveria sediar uma igreja paroquial. Uma povoação criada sob o ponto de vista eclesiástico ou um conjunto de paroquianos, os fregueses.

CDC: Onde este documento de criação se encontra atualmente? Há registros na Catedral?

Pe. Acácio: O Alvará original que oficializa, de fato, a Freguesia de Nossa Senhora de Belém de Guarapuava, isto é, sua certidão de nascimento, encontra-se guardada no Arquivo Metropolitano Dom Duarte Leopoldo e Silva, da arquidiocese de São Paulo. Tudo está registrado no Livro número 1, 2-39, nas páginas 120, 120, verso e 121, documento número 119. Todas estas informações constam de um documento recentemente traduzido do português arcaico para uma linguagem atual, pela professora e historiadora de nossa cidade, Zilma Haick Dalla Vecchia. Deste documento traduzido, temos a cópia aqui na Catedral.

CDC: São muitas histórias para contar ao longo de um ano sobre a Catedral. Para isso, tem que haver um ponto de partida para as celebrações jubilares de duzentos anos. Quando serão lançadas as festividades?

Pe. Acácio: Vamos lançar a programação oficial dos duzentos anos de criação de nossa Catedral, enquanto paróquia, nos dias 11 e 12 de novembro de 2017. As comemorações serão explicadas nas missas da Catedral e o assunto também será falado nas celebrações nas paróquias de nossa diocese. Será um período de união e de muitas celebrações.

CDC: Há alguma prioridade por parte da Catedral Nossa Senhora de Belém para este Ano Jubilar?

Pe. Acácio: A prioridade e também nosso sonho enquanto comunidade é a conclusão das obras da nova Catedral. O projeto está bastante avançado, graças a Deus, mas na parte final, nos arremates, os produtos e serviços se tornam muito caros. Desta forma, nosso empenho e dedicação neste ano, serão para que as obras sejam concluídas.

CDC: Uma campanha para arrecadar recursos para a pintura externa da Nova Catedral vem sendo idealizada. Gostaria que o senhor falasse um pouco sobre isso:

Pe. Acácio: Sim, estamos pensando juntamente com o COPAE (Conselho Paroquial para Assuntos Econômicos) e estudando uma maneira de buscar estes recursos. São muitos metros de pintura e vamos precisar montar uma cruz no alto da igreja. São trabalhos que demandam muito dinheiro. Com os problemas econômicos pelos quais o país passa, as dificuldades aumentam. Mas temos que ser confiantes da providência divina para que tudo se resolva ao longo deste Ano Jubilar.

CDC: E na parte espiritual, o que será preparado para este período?

Pe. Acácio: Primeiro, vamos levar a história a conhecimento de todas as pessoas ao nosso redor. Vamos falar do Jubileu. Segundo, termos a consciência de que nós somos fruto deste início, enquanto comunidade cristã, enquanto Igreja, aqui nesta região do Paraná. E o terceiro ponto, é o respeito às memórias dos nossos antepassados, tanto sacerdotes, missionários, lideranças e leigos que investiram suas vidas na celebração da fé. A partir disso, outras comunidades foram surgindo. Não podemos esquecer a gratidão. Devemos agradecer pela devoção, por esta história de fé.

CDC: A história social e política não só de Guarapuava, mas de toda a região, começou simultaneamente com a história da Igreja, com sua instalação por aqui. Com isso, o senhor acredita que deve haver um envolvimento das autoridades, dos representantes da sociedade neste Ano Jubilar?  

Pe. Acácio: Queremos envolver, a partir da abertura do Ano Jubilar, todas as autoridades de nossa região de abrangência, bem como nossos administradores, gente envolvida com a cultura de Guarapuava e das cidades vizinha. Vamos trabalhar para que as festividades destes duzentos anos sejam sentidas, vividas. É um tempo de repensar o futuro, de renovar as ideias, enfim...

CDC: Guarapuava, enquanto paróquia deu origem a várias comunidades. Muitas destas comunidades hoje são paróquias e até dioceses. Há alguma proposta de envolver estas regiões no projeto de celebração dos duzentos anos?

Pe. Acácio: Nós, aqui de Guarapuava, a partir da então paróquia Nossa Senhora de Belém, demos origem a grandes comunidades. Posso citar aqui, Campo Mourão, que era um lugar muito distante, onde os padres saíam daqui, a cavalo, para atender à capelinha São José. Hoje, Campo Mourão possui uma diocese, é uma grande cidade. Também citamos outras regiões, como Laranjeiras do Sul, por exemplo. Estas pequenas capelas, depois, se transformaram em paróquias e, em seguida, em diocese, como é o nosso caso, aqui em Guarapuava.

CDC: Para finalizar: eu retorno à prioridade de conclusão das obras da nova Catedral. O término dos trabalhos seria um presente de aniversário de duzentos anos para a diocese?

Pe. Acácio: Com certeza. São dezessete anos de trabalho. Como falei antes, a crise chegou e atrapalhou muita coisa. Nós não chegamos a parar com os serviços, mas o ritmo diminuiu muito. Nós precisamos concluir as obras. Estamos usando o espaço litúrgico, acolhemos as grandes celebrações, mas a intenção é deixar a obra concluída o quanto antes. Este seria o maior presente para nossa Igreja que em 2018 celebra seu Jubileu de duzentos anos. 

Foto: Mauricio Toczek - CDC