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Índios munduruku terão pregadores da Palavra na própria língua

Entre os novos ministros da Palavra, Dom Wilmar ressalta as quatro mulheres que assumiram este serviço.

30/11/2017 09:44:00


Os povos indígenas estão entre os grupos que têm atenção especial no trabalho de evangelização da Igreja. Na prelazia de Itaituba (PA), as iniciativas neste sentido fazem parte das ações do bispo local, Dom Wilmar Santin, que realizou a missa de envio de 24 ministros da Palavra pertencentes a comunidades indígenas Munduruku, na última semana de novembro.

No território da prelazia, maior que o Estado do Paraná, estão 14 mil índios Mundurukus, os quais residem, em sua maioria, no município de Jacareacanga (PA), nas proximidades do Rio Cururu. No local, são realizadas as missões franciscanas e das Irmãs da Imaculada Conceição há mais de 100 anos. Desde 2011 na prelazia, é a quinta vez que Dom Wilmar visita a região.

O que é sempre “uma alegria muito grande” de visitar “aquele povo guerreiro e bastante acolhedor”, desta vez teve um motivo especial, de acordo com Dom Wilmar. A satisfação do bispo estava em constituir os primeiros ministros da palavra entre os índios Mundurukus.

“Eles já celebram a Palavra aos domingos em uma boa parte das aldeias, mas não havia ainda ministros instituídos oficialmente e com mandato de dois anos. Depois de três anos de intensa formação que eles receberam, presidi a Celebração do Envio que aconteceu na terça-feira, dia 14 de novembro. Foram 24 novos Ministros instituídos”.

Entre os novos ministros da Palavra, Dom Wilmar ressalta as quatro mulheres que assumiram este serviço. Com a presença dos ministros, será possível às comunidades celebrar em suas próprias línguas e que a Igreja particular dê uma resposta concreta ao desafio de evangelizar os povos tradicionais na perspectiva de que os mesmos tenham uma caminhada própria de Pastoral e vivência da fé.

“Agora os Munduruku terão pregadores da Igreja na sua própria língua e isso me enche de esperança. Tenho certeza que a evangelização naquelas terras será muito eficaz”, celebra. Ofertar a vivência da fé na língua dos povos originários é importante, segundo o bispo, pois, no caso dos Mundurukus, nas mais de 130 aldeias, a maior parte só fala a língua materna e mantém características culturais, o que sugere a inculturação nesta realidade.

ESTUDO NA CNBB

Atenta à realidade muito presente na Amazônia, onde as comunidades passam meses sem as celebrações eucarísticas, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) percebeu a necessidade de dar orientações para a realização das celebrações da Palavra. Membro da comissão que estuda a temática, Dom Wilmar afirma que a pretensão é dar indicações para que tais celebrações não se tornem uma “minimissa”, mas que alimentem, orientem, levem a uma conversão e “empurre para a missão”.

O grupo formado por bispos e peritos, entre padres e religiosas, já apresentou algumas versões do texto “O Domingo: Dia da Comunidade, da Palavra e da Eucaristia”, o qual tem como base o Documento 52 da CNBB, aprovado durante a 32ª Assembleia Geral da entidade, em 1994. Pautado na 55ª Assembleia Geral, agora em 2017, o texto voltará no próximo ano unificando o conteúdo com outro texto debatido pelo episcopado em abril deste ano, que tratava do Ministério da Palavra.

Em Itaituba, a instituição dos ministros da Palavra é o início de um projeto maior, que é o de constituir ministros da Eucaristia, do Batismo, do Matrimônio e também diáconos permanentes. O projeto formativo, de acordo com Dom Wilmar, tem apoio da agência de desenvolvimento alemã Adveniat.

Dom Wilmar, pretende nesse processo de formação de ministros e diáconos permanentes, caminhar para a realização do sonho do Papa Francisco de ter em cada aldeia indígena um próprio padre índio.

 

CNBB

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