Notícias

Bispos do Paraná participam de reunião com autoridades para tentar solucionar questões agrárias

Além do município de Pinhão, onde 22 famílias foram expulsas das terras e tiveram suas casas demolidas no dia 01 de dezembro, outras reintegrações de posse podem ocorrer em várias regiões do Paraná.

12/12/2017 10:41:00


Ante o conflito por causa de reintegração de posse em Pinhão, ocorrida no dia 01 de dezembro, onde as vinte e duas famílias tiveram suas casas destruídas, além da demolição total de posto de saúde e da igreja local, uma comissão formada pelos bispos do Paraná, esteve em audiência com as autoridades em Curitiba no último dia 07 de dezembro.

O bispo da diocese de Guarapuava, Dom Antônio Wagner da Silva e o padre Valdecir Badzinski, pároco da paróquia Divino Espírito Santo, em Pinhão, compuseram a comissão, que conversou com o governador Beto Richa e com o Secretário de Segurança Wagner Mesquita com o intuito de entender a situação e pôr fim ao conflito na região. Na ocasião, os representantes da Igreja no Paraná, através do Regional Sul 2 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), também participaram de audiências na sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) para debater o ocorrido e tentar solucionar os problemas dos atingidos pela ação judicial, bem como para frear outras possíveis reintegrações de posse em Pinhão e em outras regiões do Paraná.

“Considero proveitosa a conversa que tivemos com as autoridades do governo e também agrárias em Curitiba. A Igreja lamenta o ocorrido em Pinhão, pois também foi vítima de uma ação puramente desnecessária e brutal. As famílias que foram atingidas precisam ser recolocadas. Os protestos dos moradores e dos movimentos sociais também mostraram a força da população ante a adversidade e problema que se criou no município. Com isso, a justiça e as autoridades políticas precisaram rever a situação e tentar dialogar mais com todos os moradores antes de tomar uma decisão precipitada como a que foi tomada no dia 01 de dezembro. Muitas regiões do Paraná passam pela mesma situação e isto é muito triste, pois nota-se uma total falta de preocupação para com as pessoas mais pobres da sociedade por parte das autoridades”, grifou Dom Wagner.

O secretário do Regional Sul 2, padre Mário Spaki, acompanhou os bispos durante as audiências e falou da preocupação da Igreja em relação às reintegrações de posse no Paraná. “A Igreja está muito preocupada com tudo isso. Este é um momento muito triste, pois o que ocorreu com as famílias em Pinhão, pode ocorrer com outras, em vários pontos do Paraná, caso essas liminares se concretizem em algum momento. Mas também ouvimos do governador e do secretário de segurança, que existem formas de negociação, de tratativas para que tudo se resolva. Vamos acompanhar as reuniões. A Igreja está atenta a todas as negociações. O governador se pôs à disposição para liberar verbas para a reconstrução das casas das famílias. Isso será em parceria com o município que vai precisar encontrar terrenos para estas pessoas. Foi um choque muito grande e muito triste para toda a nossa sociedade”, enfatizou padre Mário.

DOM ANUAR

Dom Anuar Battisti, arcebispo de Maringá, lamentou o ocorrido e disse que, em nome de toda a Igreja, pede que a dignidade das pessoas seja devolvida em Pinhão. “Eu quero manifestar aqui, em nome de toda a população, que ficou chocada com as imagens da última sexta-feira (01 de dezembro de 2017), quando famílias, que assentadas há mais de vinte e cinco anos, foram despejadas em Pinhão. Lamentamos este gesto tão sério, tão profundo, que veio tirar a dignidade das pessoas. Mães desesperadas, igreja destruída. Lugar de oração, de encontro do povo de Deus, foi totalmente arrasado. Nós clamamos pelas famílias. Que Deus os fortaleça e que a solidariedade humana possa se fazer presente neste momento. Clamamos a vocês, famílias destruídas, clamamos à justiça. Pedimos aos homens da justiça, aos juízes, ao supremo tribunal federal, que busquem o caminho correto, pois o nosso Deus é o Deus da justiça. Deus nos fortaleça”, conclamou Dom Anuar.