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Padre e médico brasileiro fala sobre as recentes clonagens de macacos na China

O Vatican News traz o parecer do Padre Tiago Gurgel, médico pediatra, sacerdote da arquidiocese de São Paulo que estuda para o doutorado em bioética em Roma.

05/02/2018 08:39:00


Os macacos Zhong Zhong e Hua Hua nasceram na China e são os primeiros primatas clonados da História. Causam preocupação no meio científico porque significam a quebra de uma barreira que pode permitir a aplicação da técnica nos seres humanos.

Segundo os cientistas do Instituto de Neurociências de Xangai (China), “os animais viabilizarão o estudo de doenças que atingem os humanos e o desenvolvimento de novos remédios”, mas são muitas as instituições que condenam experimentos de clonagem.

A ONG Pessoas para o Tratamento Ético dos Animais (Peta) divulgou em seu site um protesto em que classifica a clonagem como uma “ciência Frankenstein”, que serviria apenas para aumentar o sofrimento das espécies.

O Vatican News contatou o Padre Tiago Gurgel, médico pediatra, sacerdote da Arquidiocese de São Paulo que em Roma estuda para o doutorado em bioética:

A GRANDE NOVIDADE É QUE OS CHINESES CONSEGUIRAM CLONAR UM PRIMATA.

“O experimento é visto como a quebra da ‘barreira técnica’ que pode futuramente abrir a porta para a clonagem de humanos”

“A técnica da clonagem já existe desde 1952, quando foi clonado pela primeira vez um sapo, mas esta técnica só se tornou famosa mesmo em 1996, quando foi clonado um mamífero, a famosa ovelha ‘Dolly’. Depois disso, cerca de outros 23 animais já foram clonados, como gatos e cachorros”, relembra o sacerdote.

COMO SE REALIZA O EXPERIMENTO

“A técnica da clonagem consiste na transferência nuclear de células somáticas, ou seja: você retira o núcleo de uma célula de um animal adulto, transfere este núcleo para um óvulo e o coloca em condições para se fertilizar e se desenvolver. A novidade que permitiu a clonagem de um primata está no fato de que o núcleo não foi extraído de uma célula somática adulta, mas de um feto de um macaco que permitiu, associado à outra técnica, além da transferência nuclear, que permite uma espécie de ‘edição genética’, isto é, a correção dos danos genéticos causados pela transferência nuclear que permite a clonagem”, detalha.

O OBJETIVO, SEGUNDO OS CIENTISTAS CHINESES

“Os pesquisadores chineses garantem que o objetivo da técnica de clonagem dos primatas não é necessariamente avançar para obter a clonagem de seres humanos. Eles afirmam que pretendem conseguir animais idênticos que permitam o estudo de doenças genéticas, que permitam definir melhor suas causas e possíveis tratamentos para doenças como Azheimer e alguns tipos de câncer. Não é ético, e nem permitido, fazer clonagem humana. Isto já foi proibido desde 2005 pela Assembleia Geral das Nações Unidas, na medida em que a clonagem humana é incompatível com a dignidade humana e com a proteção da vida humana”, finaliza o sacerdote.

 

CNBB com Vatican News