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MEIO AMBIENTE: Lixo da região viaja quase trezentos quilômetros antes de descarte

Maioria dos municípios não tem aterro sanitário e optou por transbordo dos resíduos sólidos urbanos. Isso ocorre porque não há aterros regularizados para atender essa demanda.

21/02/2018 16:44:00


O lixo coletado em quinze municípios da Região de Guarapuava é levado para outras cidades e pode viajar quase trezentos quilômetros antes de ser descartado. Isso ocorre porque não há aterros sanitários licenciados das próprias prefeituras. Para cumprir a lei e destinar o lixo corretamente, elas licitam e terceirizam esse serviço. Dos dezoito municípios do centro-oeste atendidos pelo escritório regional do IAP (Instituto Ambiental do Paraná), quinze levam o lixo para outras cidades.

São apenas dois aterros licenciados para resíduos domiciliares na região. Um público, da Prefeitura de Guarapuava, que está regular e atende somente a cidade de Guarapuava. O outro é privado, em Laranjeiras do Sul. Os resíduos de Laranjeiras são depositados no local, por meio de um contrato com a empresa detentora do empreendimento.

Em Virmond, a situação é preocupante, pois o lixo é jogado em um vazadouro, um lixão. É a única cidade da região que está nessa condição, segundo o IAP. Em agosto de 2017 um relatório do IAP apontava que três municípios da região estavam irregulares.

“Turvo e Marquinho já têm uma situação já revertida. Adotaram o transbordo de resíduos para um aterro licenciado particular. Somente Virmond precisa se adequar. Já há possibilidade de em breve os resíduos serem destinados para um aterro”, disse à reportagem da Rádio Cultura o biólgo Marco Antônio Silva, do IAP.

TRANSBORDO

Os demais municípios levam o lixo para longe. Depois da coleta nas casas, os resíduos são destinados a um espaço de transbordo. Esse tipo de operação é mais fácil de ser licenciada. Trata-se de um local para armazenagem temporário do lixo.

“Os municípios têm optado pelo transbordo por ter um menor custo operacional. O município fica com a responsabilidade pela coleta e triagem dos resíduos, educação ambiental e por manter uma estrutura relativamente barata, com piso e coleta de chorume para que uma empresa faça a destinação correta”, ressalta Marco Antonio.

Pinhão, por exemplo, destina os resíduos para Chapecó, já que a empresa que venceu a licitação é da cidade catarinense.  A distância é de cerca de duzentos e noventa quilômetros entre as cidades. Segundo a prefeitura, através da secretaria de meio-ambiente, o município já está trabalhando na definição e construção de um aterro próprio.

Em Prudentópolis, o lixo é levado para Pirai do Sul, na Região dos Campos Gerais. São cento e oitenta quilômetros em caminhões para fazer a destinação final dos resíduos.

Em todos esses casos, além do custo da coleta nas casas, os municípios precisam pagar para o transporte e destinação final. Os custos variam de acordo com a licitação.

Cléber Moletta / Central Cultura de Comunicação