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Carta Placuit Deo aos Bispos da Igreja Católica sobre alguns aspectos da salvação cristã

“Toda pessoa, a seu modo, procura a felicidade e tenta alcançá-la recorrendo aos meios disponíveis”.

01/03/2018 15:39:00


Foi publicada neste dia 01 de março, pelo Vaticano, a Carta Apostólica da Congregação para a Doutrina da Fé Placuit Deo aos Bispos da Igreja Católica sobre alguns aspectos da salvação cristã. O documento é assinado por Dom Luis Francisco Ladaria Ferrer e por Dom Giacomo Morandi, respectivamente prefeito e secretário do Dicastério.

A Carta pretende destacar, na linha da grande tradição da fé e com especial referência ao ensinamento de Papa Francisco, alguns aspectos da salvação cristã que possam ser hoje difíceis de compreender por causa das recentes transformações culturais.

O Texto é dividido em quatro partes com uma introdução e uma conclusão.

Depois da introdução, o segundo ponto fala do impacto das transformações culturais de hoje sobre o significado da salvação cristã.

O mundo contemporâneo questiona, não sem dificuldade, a confissão da fé cristã, que proclama Jesus o único Salvador de todo o homem e da humanidade inteira. A carta busca combater duas tendências que estão crescendo muito em nosso tempo, como falou o Papa Francisco em seu discurso em Florença em novembro de 2015.

“Prolifera em nossos tempos um neo-pelagianismo em que o homem, radicalmente autônomo, pretende salvar-se a si mesmo sem reconhecer que ele depende, no mais profundo do seu ser, de Deus e dos outros”, disse o Pontífice.

Já certo neo-gnosticismo, por outro lado, apresenta uma salvação meramente interior, fechada no subjetivismo. Essa consiste no elevar-se “com o intelecto para além da carne de Jesus rumo aos mistérios da divindade desconhecida”. O texto reafirma que, a salvação consiste na nossa união com Cristo, que, com a sua Encarnação, vida, morte e ressurreição, gerou uma nova ordem de relações com o Pai e entre os homens.

A tentação do gnosticismo – recordava o Papa Francisco em Florença – “leva a confiar no raciocínio lógico e, claro, o qual perde a ternura da carne do irmão. O fascínio do gnosticismo é o de “uma fé fechada no subjetivismo, onde interessa unicamente uma determinada experiência ou uma série de raciocínios e conhecimentos que se acredita podem confortar e iluminar, mas onde o objeto em definitiva permanece fechado na iminência da sua própria razão ou dos seus sentimentos”.

“O gnosticismo não pode transcender. A diferença entre a transcendência cristã e qualquer forma de espiritualismo agnóstico está no mistério da encarnação. Não colocar em prática, não levar a Palavra à realidade, significa construir sobre a areia, permanecer na pura ideia e degenerar em intimismos que não dão frutos, que tornam estéreis o seu dinamismo”, sublinha Francisco.

O terceiro ponto destaca o desejo humano de salvação.

Toda pessoa, a seu modo, procura a felicidade e tenta alcançá-la recorrendo aos meios disponíveis. Com frequência, tal desejo coincide com a esperança da saúde física, às vezes assume a forma de ansiedade por um maior bem-estar econômico, mais difusamente, se expressa através da necessidade de uma paz interior e de uma convivência pacífica com o próximo.

A salvação plena da pessoa – evidencia o texto -, não consiste nas coisas que o homem poderia obter por si mesmo, como o ter ou o bem-estar material, a ciência ou a técnica, o poder ou a influência sobre os outros, a boa fama ou a autorrealização. “A vocação última de todos os homens é realmente uma só, a divina”.

O quarto ponto: Cristo, Salvador e Salvação.

Segundo o Evangelho, - sublinha o documento -, a salvação para todos os povos começa com o acolhimento de Jesus: “Hoje veio a salvação a esta casa” (Lc 19,9). A Boa Nova da salvação tem um nome e um rosto: Jesus Cristo, Filho de Deus Salvador. “No início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo”.

Para responder, quer seja ao reducionismo individualista da tendência pelagiana, quer seja ao reducionismo neo-gnóstico que promete uma libertação interior, é necessário recordar o modo como Jesus é Salvador. Ele não se limitou a mostrar-nos o caminho para encontrar Deus, isto é, um caminho que poderemos percorrer por nós mesmos, obedecendo às suas palavras e imitando o seu exemplo. Cristo, todavia, para abrir-nos a porta da libertação, tornou-se Ele mesmo o caminho: “Eu sou o caminho” (Jo 14,6).

Quinto ponto: A salvação na Igreja, corpo de Cristo.

O documento deixa claro que “o lugar onde recebemos a salvação trazida por Jesus é a Igreja”. A Igreja é uma comunidade visível: nela tocamos a carne de Jesus, de maneira singular nos irmãos mais pobres e sofredores. Evidencia ainda que a participação, na Igreja, à nova ordem de relações inauguradas por Jesus realiza-se por meio dos sacramentos, entre eles, o Batismo que é a porta, e a Eucaristia que é fonte e culmine.

Já na conclusão da Carta sublinha-se que a consciência da vida plena, na qual Jesus Salvador nos introduz, impulsiona os cristãos à missão de proclamar a todos os homens a alegria e a luz do Evangelho. Fala-se da necessidade de se estabelecer um diálogo sincero e construtivo com os crentes de outras religiões e que a salvação integral, da alma e do corpo, é o destino final ao qual Deus chama todos os homens.

 

Vatican News

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