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ENTREVISTA: reconhecimento da mulher na Igreja deve ser real, não poético

A professora da PUC de São Paulo, Rosana Manzini, participou no Vaticano da Plenária da Pontifícia Comissão para a América Latina sobre o tema da mulher na Igreja.

09/03/2018 17:13:00


“A mulher, pilar da edificação da Igreja e da sociedade na América Latina”, foi o tema escolhido pelo Papa Francisco para a Assembleia Plenária da Pontifícia Comissão para a América Latina, que se encerrou no dia 09 de março, no Vaticano.

Já que todos os membros e conselheiros da CAL são cardeais e bispos, desta vez – em caráter excepcional – foi convidado para a Plenária um grupo restrito de personalidades femininas provenientes da América Latina, com diferentes cargos de responsabilidade sociais e eclesiais. Neste grupo, estava a professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Rosana Manzini, que leciona disciplinas de Teologia Moral.

Em entrevista concedida à Patricia Ynestroza, do Vatican News, Rosana Manzini faz um balanço da Plenária e fala dos desafios da mulher na Igreja e na sociedade.

Vatican News: Qual tua visão geral deste encontro?

Rosana: O que é muito interessante e que está nos causando uma agradabilíssima surpresa é que percebemos que neste encontro nós sentimos um movimento do Espírito. São relatos das mulheres nas diversas condições de toda a América Latina e a corresponsabilidade seja dos homens, clérigos ou não, nesta situação, neste posicionamento solidário para que a mulher possa continuar sendo solidária onde ela está.

Vatican News: O tema da Plenária é a mulher como pilar na edificação da sociedade e da Igreja. Quais são os desafios, as mudanças que se enfrentam agora?

Rosana: Na Igreja, eu acredito que seja necessário um reconhecimento da mulher, um reconhecimento real e não um reconhecimento poético, “que a mulher é boa ou importante”, mas um reconhecimento em que a mulher participe de forma mais ativa na gestão eclesial. Quanto à sociedade, nós devemos ir ocupando os lugares devidos. Já houve na América Latina, em vários países, mulheres que chegaram à presidência da República ou a diversos organismos de decisão e legislação dos países, mas devemos ocupar mais. O olhar da mulher, seja para a Igreja, seja para a sociedade é diferente. A mulher tem um olhar pelo seu próprio modo de ser, ela vê não só além, mas de forma diferente a realidade. Consequentemente, vai propor algo diferente .

Vatican News: Que trabalho você faz com as mulheres?

Rosana: Eu sou professora de Teologia. Trabalho no apoio às mulheres que têm a coragem de entrar neste mundo teológico. Ajudá-las a enfrentar os inúmeros obstáculos, porque é um curso praticamente destinado aos seminaristas, apesar dos cursos noturnos serem para leigos. Mesmo assim, depois que se conclui o curso, a inserção para ser professora não é fácil. Trabalho também com moças de outros cursos, sendo uma presença mostrando uma realidade espiritual muito importante que não pode ser abdicada.

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