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DIA MUNDIAL DA SAÚDE: A defesa da saúde pública e o fortalecimento do Sistema Único de Saúde

O documento da OMS destaca que “o mais alto padrão possível de saúde é um dos direitos fundamentais de todo ser humano, sem distinção de raça, religião, crença política ou condição econômica ou social”.

06/04/2018 09:50:00


“Na comemoração que a Organização Mundial da Saúde (OMS) adotou para assumirmos uma consciência mais abrangente e plena do que significa a saúde como estado de bem-estar físico, mental, socioambiental e espiritual, somos convidados a refletir e nos comprometermos com a defesa da saúde pública e nessa linha com o resgate e fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS)”, destaca o bispo de Campos (RJ) e referencial da Pastoral da Saúde da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Roberto Francisco Ferrería Paz, em mensagem para o Dia Mundial da Saúde, celebrado em 07 de abril.

Para celebrar a data, que é solenizada todos os anos no mesmo dia em que a OMS foi criada, em 07 de abril de 1948, o projeto Direitos Sociais e Saúde: Fortalecendo a Cidadania e a Incidência Política e a Pastoral da Saúde lançam mensagem em defesa da saúde pública, por um Sistema Único de Saúde (SUS) voltado para o povo brasileiro, livre de mercantilização.

“O XIII Fórum Social Mundial em Salvador denunciou e mostrou às claras o processo hegemônico do capital rentista e parasita que subtrai fundos públicos para os negócios especulativos do setor privado e, nesta tendência perversa, a saúde se torna mercadoria, acalentando a indústria dos planos de securitização para o consumo de quem possa pagar”, destaca na mensagem Dom Roberto.

Para este ano, a Organização Pan-Americana da Saúde e a Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) escolheram para a campanha do Dia Mundial da Saúde o lema: “Saúde para todas e todos. Em todos os lugares”.

A ideia é chamar atenção para a importância da saúde universal – que significa garantir que todas as pessoas e comunidades tenham acesso aos serviços de saúde sem qualquer forma de preconceito e sem sofrer dificuldades financeiras. Neste mesmo caminho segue o trabalho da Pastoral da Saúde que tem o desafio de estar comprometida em garantir ou fortalecer o SUS.

“Por isso torna-se necessário avivar e recriar o sonho que animou o movimento sanitarista e outros coletivos, junto à Pastoral da Saúde, para exigir e fazer acontecer a saúde integral como direito dos cidadãos e dever do Estado”, ressalta o bispo.

A Pastoral obedece três dimensões: a da assistência solidária com a pastoral hospitalar, depois a dimensão de comunidade, propiciando campanhas e uma medicina mais preventiva. Um terceiro ponto é a luta pelas políticas públicas de saúde.

De acordo com a Organização das Nações Unidas no Brasil (ONUBR), a saúde universal abrange uma gama de serviços de saúde, entre eles, promoção da saúde, prevenção de doenças, tratamento, reabilitação e cuidados paliativos – que devem ser de qualidade, integrais, seguros, eficazes e acessíveis a todos. O direito a esses e outros cuidados de saúde estão garantidos na Constituição da OMS, que foi publicada em 1946 e entrou em vigor em 1948.

O documento da OMS destaca que “o mais alto padrão possível de saúde é um dos direitos fundamentais de todo ser humano, sem distinção de raça, religião, crença política ou condição econômica ou social”. O principal objetivo da campanha da OMS deste ano é aumentar a conscientização sobre a necessidade de cobertura e acesso à saúde universal, além dos benefícios que isso pode trazer.

Diante da realidade da saúde pública no Brasil, que tem enfrentado muitas dificuldades, Dom Roberto enfatiza que não é possível permitir nenhum passo atrás ou direito a menos no que diz respeito ao serviço básico de saúde ofertado à população.

“Que a defesa e a reconstrução do SUS como ele foi cogitado pelo grandioso mutirão popular que conseguiu esta conquista que tanto nos orgulha, seja ponto de honra para todos os fiéis cristãos, que animam e enobrecem nossa Pastoral da Saúde”, enfatiza.

Dom Roberto Paz finaliza a mensagem fazendo memória aos leigos que lutaram por uma saúde pública de qualidade para o povo. “Para que neste Ano Nacional do Laicato façam a diferença, caminhando juntos, lado a lado, com o povo sofrido. Que a memória de tantos leigos e leigas, como Santa Giana Berea Mola e Zilda Arns, nos impulsionem a dar o melhor de nós mesmos e que Jesus, nosso Irmão e Salvador, nos conduza sempre a testemunhar e construir na história que vivemos o seu Reino, de vida, saúde, paz e justiça para todos”, conclui.

 

CNBB