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Arquivo Nacional exibe documentos originais sobre escravidão no Brasil

Além da mostra, houve debates sobre os efeitos pós-abolição. O evento faz parte das comemorações dos 180 anos do Arquivo Nacional, situado na Praça da República, região central do Rio de Janeiro.

11/05/2018 09:00:00


O Arquivo Nacional, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), inaugurou, no dia 08 de maio, uma exposição em comemoração aos 130 anos da abolição da escravidão. A mostra reúne 40 reproduções de documentos da época, além de originais de outros 20 documentos, na sua maioria dos séculos 18 e 19, desde recibos de venda de escravos, relatórios de chegada de navios negreiros com lista de passageiros informando a região africana de procedência e nações da qual faziam parte. Há ainda as primeiras leis pré-abolicionistas, documentos que mostram a resistência dos negros e o seu cotidiano, até a Lei Áurea, promulgada pela princesa Isabel no dia 13 de maio de 1888.

Por questão de segurança, os originais da Lei Áurea e da Lei do Ventre Livre, de 1871, serão substituídos por cópias após a inauguração. Serão exibidas também imagens da época. O supervisor do Setor de Pesquisas do Arquivo Nacional, Thiago Mourelle, destacou que os documentos expõem a vida dos escravos no Brasil desde a vinda para o país até a libertação legal.

“A gente pensou em aproveitar esse ano redondo [aniversário de 130 anos] para fazer essa exposição para chamar a atenção do público para essa barbárie que foi a escravidão no Brasil”, disse Mourelle. Um dos documentos que chama atenção é uma lista de compras que inclui escravos entre alfaces e tomates. “A pessoa era vista como um objeto”; sublinhou Mourelle.

Em paralelo à exposição, será realizado um seminário sobre pós-abolição. Mourelle explicou que, para o movimento negro, a data mais importante não é o dia 13 de maio, mas sim, 20 de novembro, quando se comemora o Dia da Consciência Negra. A data marca a morte de Zumbi dos Palmares, em 1695, líder do maior quilombo do país, em Alagoas. “A gente vai mostrar a Lei Áurea, mas mostrando essa discussão atual das condições de vida do negro desde a abolição até os dias atuais”, apontou.

A mostra permanece aberta à visitação até este sábado, dia 12 de maio. Mas, de acordo com Mourelle, existe a possibilidade de estender a exposição para mais um período a depender do interesse do público.

ACERVO

A ideia é também dar aos visitantes a oportunidade de conhecer o acervo do Arquivo Nacional, que reúne 65 quilômetros de documentos: desde discursos, imagens, filmes, documentos textuais, mapas, entre outros.

Shows de grupos afro-brasileiros e uma mostra de cinema em homenagem a Nelson Pereira dos Santos, cujos originais dos filmes estão guardados no Arquivo Nacional, também fizeram parte da programação.

O evento faz parte das comemorações dos 180 anos do Arquivo Nacional, situado na Praça da República, região central do Rio de Janeiro.

 

Agência Brasil

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