Notícias

OMS se prepara para o "pior cenário" diante do surto de ebola na República Democrática do Congo

No dia 08 de maio, o Ministério da Saúde da República Democrática do Congo (RDC), notificou que tinha confirmado dois casos de ebola em laboratório. No mesmo dia, foi declarado oficialmente um novo surto no país.

11/05/2018 15:24:00


A Organização Mundial da Saúde (OMS) prepara-se para o “pior cenário” possível perante o novo surto de ebola na República Democrática do Congo (RDC), onde já foram detectados 32 casos suspeitos da doença.

No dia 08 de maio, o Ministério da Saúde da RDC notificou que tinha confirmado dois casos de ebola em laboratório e no mesmo dia foi declarado oficialmente um novo surto no país, palco de várias epidemias no passado.

As Equipes da OMS, Unicef, Federação Internacional da Cruz Vermelha (FICV) e Médicos sem Fronteiras (MSF) se desdobraram na região onde surgiu o surto, em Bikoro (noroeste), um local remoto a 280 quilômetros da capital provincial e com uma infraestrutura muito pobre, segundo explicou em entrevista coletiva o diretor de emergências da OMS, Peter Salama.

“Estamos muito preocupados porque a área onde surgiu é remota e muito pobre e com um acesso muito precário, com o que a chegada de assistência é um desafio por si mesmo”, afirmou o especialista.

Por isso, a OMS está a ponto de assinar um acordo com o Programa Mundial de Alimentos (PMA) para contar com helicópteros nos quais poderá transportar pessoal e materiais, e ao mesmo tempo, está planejando a possibilidade de criar uma pista de pouso para que os aviões possam aterrissar.

“Temos medo de que o surto se expanda a Bandaka, a capital provincial, com um milhão de habitantes. Se chegar a essa cidade, teremos um surto maior e um desafio muito grande, porque sabemos da nossa experiência na África Ocidental que quando o ebola chega à grande cidade, e especialmente a áreas de favelas, é muito difícil deter a doença”, afirmou Salama.

O diretor assumiu que a resposta da OMS está sendo “imediata” e totalmente proativa após as críticas feitas à organização em 2014 pela sua tardia reação ao surto de ebola na África Ocidental, que terminou com 11,3 mil mortes e mais de 28 mil casos.

Dessa experiência ficou a lição de que é essencial desdobrar no terreno antropólogos e especialistas em comunicação comunitária para explicar à população local os riscos de estar em contato direto com uma pessoa doente, dado que o vírus do ebola é transmitido pela secreção da pele e as mucosas, especialmente logo depois de morrer.

Na anterior epidemia, o vírus se expandiu de forma exponencial por causa da tradição de lavar e beijar os mortos em grandes funerais, um costume que também ocorre na RDC.

Salama confirmou que tudo indica que a transmissão em um funeral também ocorreu nesta epidemia.

Além disso, foi confirmada a morte de três trabalhadores da saúde supostamente infectados por ebola, o que “preocupa muitíssimo” porque os médicos foram também, no passado, focos importantes de transmissão.

Todas as organizações envolvidas desdobrarão neste fim de semana antropólogos no terreno.

Além disso, a OMS está se preparando para poder iniciar uma campanha de vacinação assim que o governo dê sinal verde, e Gavi, a Aliança para a Imunização, já anunciou que financiará as vacinas.

É necessário o consentimento do Governo, dado que é ainda uma vacina experimental sem licença e o risco de efeitos secundários é alto.

“Além disso, é necessário que as bovinas estejam a uma temperatura de entre -60 e -80 graus centígrados, o que significa um desafio de organização enorme”, especificou.

As 40 pessoas que trabalharam nos testes clínicos da bovina em Guiné serão os que instalarão o projeto na RDC se for aprovado.

Além disso, a OMS pôs em alerta a nove países fronteiriços da RDC, embora estão especialmente preocupados com o risco de contágio no Congo e na República Centro-Africana, porque compartilham vias fluviais com Kinshasa.

 

Agência EFE