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No Ano Nacional do Laicato, Pastoral da Criança elege nova coordenação na diocese de Guarapuava

A Pastoral da Criança ainda enfrenta muitas dificuldades em se tratando de encontrar pessoas dispostas a ajudar nesta tarefa que, em muitos momentos, faz a diferença entre a vida e a morte.

17/05/2018 11:42:00


De 15 a 17 de maio, a Pastoral da Criança em Guarapuava, realizou a Assembleia Eletiva. Dos quatro decanatos da diocese, 42 pessoas participaram do encontro.

Na ocasião, Valdecy Aparecida Lima Virtuoso, foi eleita para o cargo de coordenadora da entidade na diocese, pelo período de três anos, podendo concorrer por mais três. Valdecy vai ocupar o lugar de Joceli Ramos Zeni, que ficou à frente dos trabalhos de coordenação por seis anos, porém, tendo participado de três processos eletivos, uma vez que as regras eram outras. “Antes, era possível a coordenação ser eleita por três mandatos, mas cada mandato durava dois anos. Depois da mudança, a coordenação pode ficar à frente dos trabalhos por apenas dois mandatos, mas cada um (mandato) tem a duração de três anos. Se falarmos de tempo, este permanece o mesmo”, explicou Joceli.

A nova coordenação, no entanto só assumirá os trabalhos em setembro deste ano. Enquanto isso, as tarefas serão repassadas gradativamente e as duas coordenadoras trabalharão juntas no exercício das atividades pastorais.

Valdecy disse que ser eleita para o cargo de coordenadora diocesana é motivo de muita alegria. Conforme sublinhou, há muitos desafios pela frente, mas com a colaboração da equipe, todos serão transpostos, pois confia no trabalho de cada um que atua junto à pastoral. “Eu me sinto muito feliz e agradecida pela escolha. Também sei do desafio que é estar à frente deste trabalho. Mas saber que tenho ao meu lado muitas pessoas de bem e prontas para me ajudar, me tranquiliza e me faz seguir com muita alegria. Este trabalho é uma troca, é uma partilha de conhecimento e de amor. Juntos, podemos ir cada vez mais longe, sem perder de vista nosso ponto de partida, nossa verdadeira missão, que é fazer a diferença na vida das pessoas, sobretudo, na vida das crianças”, observou a nova coordenadora.

A Assembleia que foi pautada por diversas atividades ao longo dos três dias, teve a assessoria da coordenadora da Pastoral da Criança no Paraná, Maria Paula da Silva Prado. Marli Szezepanik, da coordenação de núcleo, também ajudou no desenvolvimento das atividades.

“Nesta oportunidade, minha participação aqui, bem como da coordenadora de núcleo, Marli (Szezepanik), é para a realização da Assembleia Eletiva. Este é um processo de escolha do novo coordenador, que é realizado a cada três anos, podendo ser prorrogado, desde que haja eleição, por mais três. Este ano, em setembro, a Joceli (Ramos Zeni) encerra suas atividades e, em seu lugar, assume Valdecy (Virtuoso), que com certeza, fará um ótimo trabalho junto à Pastoral da Criança em nosso Estado”, indicou Maria Paula.

A coordenadora também salientou que durantes as assembleias eletivas, a atual coordenação apresenta todo o trabalho desenvolvido durante seu mandato, para só então, passar para a votação. “Este é um processo muito tranquilo, principalmente na diocese de Guarapuava, pois a Pastoral da Criança aqui é muito organizada e transparente. Neste processo, saem três pessoas mais votadas e, após esta votação, os eleitos são apresentados ao bispo e este, dentre as três pessoas eleitas, ratifica um dos nomes apresentados para ser o coordenador, não necessariamente o primeiro mais votado”, explicou Maria Paula.

Para Joceli, o momento é de agradecimento, de sensação de dever cumprido, mas também de renovação de compromissos. Conforme sublinhou, a missão é contínua e a cada dia, novos desafios surgem e é preciso discernimento e muito amor para vencê-los. “Após seis anos trabalhando como coordenadora da Pastoral da Criança, eu afirmo que aprendi muita coisa que vou levar para minha vida toda. Esta é uma experiência fantástica e eu só tenho a agradecer a todos pelo apoio e dedicação, pois sem estas pessoas, nada seria possível. Neste e em todos os nossos trabalhos, devemos pôr Deus em primeiro lugar. Sem Deus, nada cresce, nem se desenvolve”, sublinhou.

ANO DO LAICATO

De 26 de novembro de 2017 a 25 de novembro de 2018, a Igreja no Brasil celebra o Ano Nacional do Laicato. O tema que servirá como base para o período é: “Cristãos leigos e leigas, sujeitos na Igreja em saída, a serviço do Reino”. O trabalho tem como inspiração o livro de Mateus, capítulo 5, versículos 13 – 14 que diz: “Sal da Terra e Luz do Mundo” (Mt 5,13-14).

Quando se refere às pastorais no âmbito da Igreja, o leigo é o agente principal, pois sem este trabalho que é inteiro feito com amor e doação, nada se desenvolveria.

Para Maria Paula da Silva Prado, a Pastoral da Criança ainda enfrenta muitas dificuldades em se tratando de encontrar pessoas dispostas a ajudar nesta tarefa que, em muitos momentos, faz a diferença entre a vida e a morte de uma criança.

“A Pastoral da Criança, assim como outros setores e pastorais, tem avanços e recuos. Temos nossas vitórias e algumas dificuldades. Sempre passamos por avaliações e procuramos entender o que precisa ser mudado. A Pastoral (da Criança) também enfrenta dificuldades quanto a encontrar pessoas dispostas a trabalhar. Neste ano do leigo, precisamos rezar e pedir para que haja em cada um, este despertar, este espírito de solidariedade, esta vontade de servir ao próximo com amor, dedicação e cuidado. Embora sendo de inspiração católica, a Pastoral da Criança está presente no mundo e não faz distinção nenhuma de raça, sexo, ideologia ou credo. Nosso lema está em João 10, 10, que diz ‘eu vim para que todos tenham vida, e a tenham com abundância’ (Jo 10,10). Eu digo que precisamos de ajuda sempre”, esclareceu Maria Paula.

Para a coordenadora estadual, a desnutrição que levou muitas crianças à morte, não é mais o problema atual, mas sim, a obesidade. “Hoje, a obesidade infantil é um dos grandes problemas que precisa ser enfrentado. Este é um dos grandes desafios no nosso dia a dia, enquanto membros deste grupo. Mas, além disso, há também a questão do individualismo, que distancia as pessoas das causas das comunidades. Por isso, eu reitero que neste ano do leigo, precisamos rezar e agir para que haja interesse por esta causa tão nobre que é salvar vidas e priorizar a alegria, sobretudo, a alegria infantil”, considerou.

INDÍGENAS

Dirce de Mello Gomes é líder da Pastoral da Criança em Manoel Ribas há 28 anos. Há seis anos ela atua na área indígena de Ivaí. Segundo Dirce, trabalhar com os índios foi um dos grandes desafios enfrentados, mas também uma oportunidade de muito aprendizado. “Quando eu comecei a trabalha na reserva indígena, em 2012, o grande problema naquela região era a mortalidade infantil por desnutrição. As autoridades, principalmente as da área da saúde, procuraram a Pastoral da Criança para que um trabalho fosse desenvolvido naquela localidade. Juntamente com as outras líderes, de imediato, passamos a ajudar àquelas famílias e, um ano depois, em 2013, já não havia nenhuma criança desnutrida naquela comunidade”, relembrou.

 Dirce sublinha que atuar em áreas indígenas é um dos grandes desafios para os líderes da Pastoral da Criança. Conforme explica, a diferença de costumes e até mesmo a dificuldade de comunicação por parte dos atendidos, pode pôr em risco o andamento dos trabalhos. “É muito difícil os indígenas aceitarem ajuda, principalmente de outras pessoas que não das tribos. É preciso ir ao encontro deles aos poucos, com delicadeza, com cuidado. Mas com o tempo, se conquista a confiança dos moradores e aí, desenvolver os projetos se torna tarefa menos árdua”, contou.

Segundo se comprovou à época pelas autoridades de saúde, a desnutrição infantil na reserva indígena Ivaí, em Manoel Ribas, se dava, na maioria das vezes, pelo descuido das mães e não por falta de alimentação, uma vez que há apoio governamental neste sentido. Muitas das mães indígenas rejeitavam as crianças logo após o parto e algumas, mesmo optando por ficar com o bebê, não o alimentava corretamente, negando-lhe, inclusive, a amamentação. “Em muitos casos, as mães não aceitavam sequer amamentar os filhos na aldeia indígena. A criança morria de fome. Em outras situações, apenas as mães se alimentavam. Elas comiam toda a comida que era destinada às crianças e, mais uma vez, estas acabavam morrendo por desnutrição, por descuido. Conscientizar estas mães foi a principal tarefa a ser realizada pela Pastoral da Criança, juntamente com enfermeiros e outros profissionais da saúde. Mas hoje, eu vejo que este problema foi solucionado, mas de maneira alguma, se pode descuidar”, observou Dirce.