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POEMA: Amor com limites de céu...

Daqui a contemplo. Daria tudo para conhecer o mundo de luz de Teodora.

16/05/2018 17:51:00


Sentada num sofá confortável ela brinca com sua boneca.

Olha, beija e faz o brinquedo dormir com canção de ninar.

Seus cabelos têm fios brancos e não há dentes em sua boca.

Está em uma reunião, mas completamente longe dali. Vive a plenitude.

Ela só quer saber de brincar com sua boneca, ser feliz e nada mais.

 

Há música, há conversas, há animação e discussão na reunião.

Bem agasalhada, ela não sente o ar gelado do outono que se esvai.

Agora ela resmunga em uma língua inexistente e sorri intensamente.

Recebe cuidados e amparo. Aceita tudo, mas não deixa da boneca.

Depois de longo tempo, ela abraça o brinquedo e dorme. Sonha.

 

Acorda e seus olhos estão longe em um tempo que se foi.

Ela é presença viva em uma época que se esvaiu.

Abraçada à boneca, viaja em seus pensamentos e memórias.

Já cuidou de tanta gente e hoje é cuidada. Vive, pois.

Em seu mundo não há tristezas. Seu sorriso é blindagem contra o mal.

 

Seu coração é invadido de amor pleno. Lágrimas afloram.

Mas ela não chora por nenhuma dor, pois vive o céu.

Nesta infância diferente, brincar com estrelas e com a boneca é perfeito.

Vê-se bailando em meio aos anjos e desfruta o prazer de viver.

Chama-se Teodora Rudenas. É amada e ama com limites de céu...

 

Mãe que é não fez objeção em ser filha da filha. Ciclo de luz.

Agora seus olhos brilham e raios de um sol morrendo lhe invadem.

Teodora tem todo tempo do mundo, pois vive numa esfera de paraíso.

Beija a boneca e a abraça com muita força. Amor ao extremo.

Daqui a contemplo. Daria tudo para conhecer o mundo de luz de Teodora.

Jossan Karsten

Foto: Miuza Rainha