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Curitiba sediou 9º Encontro Regional das Pastorais Sociais e Organismos

17/05/2018 09:31:00


Entre os dias 04 a 06 de maio de 2018, foi realizada em Curitiba, a 9ª edição do Encontro das Pastorais Sociais e Organismos da Comissão Pastoral para a Ação Social Transformadora, do Regional Sul 2 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Conforme os organizadores, o evento foi motivado pela Exortação Apostólica Gaudete et Exsultate (Alegrai-vos e Exultai), sobre o chamado à santidade no mundo atual.

O encontro contou com a presença de 61 pessoas, representantes de 14 das 18 dioceses do Regional.

Os trabalhos foram iniciados com uma leitura conjuntural e estrutural da economia e política do Brasil atual, com o professor, economista e cientista político, Másimo Della Justina da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Na ocasião, Másimo explanou sobre o quadro econômico, tendo por base a desigualdade social e os privilégios dos poucos, que abstrai o capital, não redistribui riquezas e ainda utilizam dos melhores serviços públicos e créditos.

O professor falou de três problemas econômicos estruturais: (I) juros elevados [dívida pública de 3.5 trilhões], (II) concentração de renda e riqueza, (III) desempenho ineficiente e ineficaz do poder público, que agrava ainda mais a crise econômica.

“A crise política atual é consequência dos problemas estruturais, todos lucraram e agora culpam um ou outro”, comenta o professor.

Másimo também falou que o papel do governo deve ser o de criar ambiente para oportunidades econômicas, corrigir distorções do mercado, regulamentação (não para baixo como a atual reforma trabalhista), tributação dos grandes lucros, redistribuição de renda e inclusão educacional.

Em seguida, o teólogo João Santiago, mestre pela PUCPR, assessor das CEBs e CEBI, fez a explanação da Carta Encíclica Gaudete Et Exsultate, o tema principal do encontro. “‘Alegrai-vos e exultai’ (Mt 5,12), diz Jesus aos que são perseguidos ou humilhados por causa dele, destaca o Papa Francisco [GE, 01]. Com isso, o Papa nos aponta o caminho para viver a santidade nos tempos atuais, diante de vários desafios”, falou João Santigo na abertura de sua palestra.

Ele também lembrou que o Papa Francisco retoma a sua linha pastoral, ao destacar que: “é usual falar, por exemplo, de uma espiritualidade do catequista, de uma espiritualidade do clero diocesano, de uma espiritualidade do trabalho. Pela mesma razão, na Evangelii Gaudium, quis concluir com uma espiritualidade da missão; na Laudato SI’, com uma espiritualidade ecológica; e na Amoris Laetitia, com uma espiritualidade da vida familiar”. (GE, nº 28).

O caminho da santidade à Luz do Mestre somos convidados a acompanhar Mt 5, 3-12, com as bem-aventuranças. “A palavra ‘feliz’ ou ‘bem-aventurado’ torna-se sinônimo de ‘Santo’, por que expressa que a pessoa fiel a Deus e que vive a sua Palavra alcança, na doação de si mesma, a verdadeira felicidade” [GE, 64].

Conforme Santiago, certamente, o convite de Francisco sobre o chamado à Santidade vem ao encontro da opção e do trabalho das Pastorais Sociais: “Deus não tem medo! Não tem medo! Ultrapassa sempre os nossos esquemas e não Lhe metem medo as periferias. Ele próprio Se fez periferia (cf. Flp 2, 6-8; Jo 1, 14). Por isso, se ousarmos ir às periferias, lá O encontraremos: Ele já estará lá. Jesus antecipa-se no coração daquele irmão, na sua carne ferida, na sua vida oprimida, na sua alma sombria. Ele já está lá”, escreve o Pontífice.

[GE, 135].

Por fim, as 17 organizações pastorais presentes, apresentaram as suas experiências de avanços e desafios em nível de regional. Entre os principais desafios destacam-se: as populações indígena, carcerária, migrantes e povo de rua. Também foram abordadas as dificuldades porque passa a Igreja em desenvolver um trabalho sistemático e organizado. Pastorais como Afro, Operária, do Menor também enfrentam resistência na própria Igreja em expandir o seu trabalho.

DEMANDAS

Dentre as demandas apontadas no encontro, destacam-se:

- Buscar estabelecer agenda em comum entre as pastorais, para fortalecer o trabalho de “pastoral de conjunto” e formação de agentes;

- Compilar dados sobre a realidade de cada pastoral;

- Discutir as políticas públicas;

- Buscar meios de sustentabilidade econômica;

- Fortalecer as pastorais sociais em nível comunitário/paroquial/diocesano por meio de encontros entre as pastorais específicas, presentes da diocese.

Ao final, a coordenação do 9º Encontro Regional das Pastorais Sociais e Organismos redigiu uma carta sobre os trabalhos desenvolvidos.

Leia na íntegra:

 

Curitiba, 04 a 06 de maio de 2018.

Entre os dias 04 a 06 de maio de 2018, no município de Curitiba (PR), estivemos reunidos o coletivo das Pastorais Sociais e Organismos da Comissão Pastoral para a Ação Social Transformadora, da CNBB Regional Sul 2, motivados pela Exortação Apostólica Gaudete et Exsultate (Alegrai-vos e Exultai), sobre o chamado à santidade no mundo atual.

Diante do contexto político, econômico e social vivenciado nos últimos tempos no nosso país e, tempos difíceis de perseguições e ataques ao conjunto da Igreja, é com muita alegria que nos reunimos com a diversidades de pastorais, movimentos e organismos que atuam junto às pessoas mais vulneráveis e empobrecidas de nossas comunidades, para reafirmar nossa opção e compromisso com todos/as,

Queremos caminhar juntos como Igreja de Jesus Cristo, defendendo e promovendo toda a forma de vida, nas suas diferentes expressões, e continuar sendo profetas da esperança, como sal da terra e luz do mundo nos dias atuais.

Clamamos ao Deus da Vida e da Caminhada, por intercessão de Maria, Mãe da Igreja, que acompanhe todas as Pastorais Sociais, para que assim possamos ecoar no coração do mundo as suas palavras: “Fazei tudo o que Ele vos disser!” (Jo 2,5).

Curitiba, 06 de maio de 2018.

Por: Jardel Lopes

Coordenador Regional das Pastorais Sociais

Regional Sul 2 da CNBB