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SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS: dia de oração pela santificação do clero

Na festa do Sagrado Coração de Jesus, celebrada este ano em 08 de junho, a Igreja, em todo o mundo, foi convidada a dedicar o dia de oração pela santificação do clero.

08/06/2018 16:34:00


Alguns padres estudantes das diversas arquidioceses e dioceses do Brasil, residentes no Colégio Pio Brasileiro, em Roma, registraram conosco o convite para esta jornada de oração pela santificação dos sacerdotes.

Em uma carta enviada pelo Cardeal Beniamino Stella, Prefeito da Congregação para o Clero, baseado na nova Exortação Apostólica do Papa - Gaudete et Exsultate - as dioceses foram convidadas a meditar três importantes passos para a santificação do sacerdotes: subir ao monte, deixar-se transformar e ser luz para o mundo.

 

SUBIR AO MONTE

Subir ao alto, porque se permanecemos sempre centrados no fazer, arriscamos de nos tornar prisioneiros do presente, de sermos sugados das incumbências cotidianas, de permanecer excessivamente centrados em nós mesmos e, assim, de acumular cansaços e frustrações que poderiam ser letais. Ao mesmo modo, “subir ao monte é o antídoto àquelas tentações da ‘mundanidade’ espiritual que também atrás das aparências religiosas, acaba nos afastando de Deus e dos irmãos e nos fazem recolocar as seguranças das coisas do mundo”.

Precisamos, ao contrário, de imergir-nos a cada dia no amor de Deus, em especial modo, através da oração. Subir ao monte nos recorda que a nossa vida é um subir constante em direção à luz que vem do alto, uma viagem em direção ao Tabor da presença de Deus, que abre horizontes novos e surpreendentes. Esta realidade não deseja nos afastar do empenho de pastorais e dos desafios cotidianos que nos pressionam, mas pretende recordar-nos que “Jesus é o centro do Ministério sacerdotal, e que tudo podemos somente naquele que nos fortalece (Fl 4,3)”.

Por isso, a subida dos discípulos em direção ao monte Tabor nos leva a refletir sobre a importância de destacar-se das coisas mundanas, para cumprir um caminho em direção ao alto e contemplar Jesus. Trata-se de preparar-nos a escuta atenta e orante de Cristo, o Filho amado do pai, buscando momentos de oração que permitam acolhida dócil e alegre da palavra de Deus (Papa Francisco, Angelus, 6 de agosto 2017).

DEIXAR-SE TRANSFORMAR

Deixar-se transformar, porque a vida sacerdotal não é um programa onde tudo está organizado com antecedência ou um trabalho burocrático que se desenvolve segundo um esquema pré-estabelecido; ao contrário, essa é a experiência viva de uma relação cotidiana com o senhor, que nos faz tornar sinais do seu amor com o povo de Deus. Por isso, “não podemos viver o Ministério com alegria sem viver momentos de oração pessoal, face a face com o Senhor, falando, conversando com Ele” (Papa Francisco, encontro com os párocos de Roma, 15 de fevereiro 2018). Nesta experiência, somos iluminados do rosto do Senhor e transformados em Sua presença.

“Também a vida sacerdotal é um ‘deixar-se transformar’ da graça de Deus porque o nosso coração torna-se misericordioso, inclusivo e compassivo como o coração de Cristo”.

Trata-se simplesmente de ser, como nos recordou recentemente o santo padre, dos “Padrões normais, simples, mansos, equilibrados, capazes de deixar-se constantemente regenerar-se pelo espírito” (Papa Francisco, homilia com celebração eucarística comos missionários da Misericórdia, 10 de abril de 2018).

Esta restauração vem antes de tudo, através da oração que muda o coração e transforma a vida: cada um de nós se torna aquele que reza. É bom recordar, nesta jornada de santificação, que “a santidade é feita de abertura habitual à transcendência, que se exprime na oração e na adoração. O santo é uma pessoa do espírito orante, que precisa comunicar-se com Deus” (Papa Francisco, Gaudete et Exsultate, n. 147). Subindo ao monte, seremos iluminados pela luz de Cristo e poderemos descer ao vale e levar a todos a alegria do Evangelho.

SER LUZ PARA O MUNDO

Ser luz para o mundo, porque a experiência do encontro com o senhor nos envia na estrada do serviço aos irmãos, a sua palavra rejeita de ser fechada na privacidade da devoção pessoal e no perímetro do tempo e, sobretudo, a vida sacerdotal é uma chamada missionária que exige a coragem e o entusiasmo de sair desse mesmo para anunciar ao mundo inteiro O que ouvimos, vemos e tocamos com a nossa experiência pessoal (cfr. 1Jo 1,1-3). Fazer conhecer aos outros a ternura e o amor de Jesus, por que cada um possa ser alcançado da sua presença que liberta do mal e transforma a existência, é o primeiro trabalho da Igreja e, por isso, o primeiro grande empenho apostólico dos presbíteros.

“Vocês têm um desejo que devemos cultivar, o desejo de serem padres capazes de levantar no deserto do mundo o sinal da salvação, isto é a cruz de Cristo, como fonte de conversão e de renovação para toda a comunidade e para o mundo” (Papa Francisco, homilia com celebração eucarística com os missionários da Misericórdia, 10 de abril de 2018).

O fascínio do encontro com o senhor deve encarnar-se em um empenho de vida a serviço do povo de Deus que, Progredindo constantemente no vale escuro das fadigas, do sofrimento e do pecado, precisa de pastores luminosos e radiantes como Moisés. De fato, “ao término da experiência admirável transfiguração, os discípulos desceram do Monte” (cfr. v.9).

 

Por: padre Arnaldo Rodrigues/Vatican News