ESPECIAL DÍZIMO

ESPECIAL: Dízimo, uma experiência de fé para uma Igreja em saída

No mês em que o Boletim Diocesano completa 40 anos de fundação, agradecer a quem mantém este veículo em funcionamento por quatro décadas é fundamental. Obrigado a todos os dizimistas. “Deus Ama que dá com alegria”. (2Cor 9,7).

27/06/2018 11:03:00


Desde a concepção, todos nós somos pautados por experiências. Na vida, vivenciamos, todos os dias, os mais diferentes aprendizados e experimentamos as mais variadas sensações no decorrer de nossa estada no mundo terreno. Depois desta passagem, também acreditamos e buscamos a experiência de uma vida eterna, ao lado de Deus, em um plano maior, em uma esfera que nos faz perceber a grandeza e a importância de nossos feitos.

Como Igreja viva, somos chamados a ser a grande experiência espiritual e humana e, para tanto, diversas ações nos chamam ao trabalho constante de busca pela harmonia e santidade.

Ser uma Igreja em saída e ir ao encontro das necessidades de um povo sedento de aprendizado e que clama por justiça, amor e paz se faz necessário. Não basta apenas começar uma missão e, no decorrer do percurso, não dar o devido suporte, a sustentação correta. A missão deve ser cumprida todos os dias com afinco, com amor, com experiências e com renovação do espírito ávido pelo amor pleno, pela alegria de realizar os anseios de uma comunidade. Na medida em que as dores surjam, é necessário que haja quem as tire, de imediato. Ser solidário e entender os próprios medos também faz parte desta experiência.

Dar a quem precisa e dar-se às experiências divinas é ser instrumento perfeito da experiência de Deus. “Deus Ama que dá com alegria”. (2Cor 9,7). O que Deus espera de cada um de nós é a experiência da doação, da entrega.

DÍZIMO E FÉ

Muito mais que uma fonte de arrecadação de dinheiro para a sustentação das comunidades e suas obras, o Dízimo na Igreja representa a verdadeira experiência da partilha, da troca, da doação espiritual. Através da experiência do Dízimo, há um verdadeiro envolvimento de todos e uma troca de afeto que resulta em compreensão e em obras.

Neste mês de julho de 2018, por ocasião dos quarenta anos de fundação do Jornal A Igreja Na Diocese de Guarapuava (Boletim Diocesano), a equipe da Ação Evangelizadora e do Centro Diocesano de Comunicação (CDC), do qual o Boletim faz parte, percorreu diversas paróquias da diocese para falar dos trabalhos desenvolvidos e também para conhecer e trocar experiências sobre o Dízimo. “Tanto o CDC como todas as outras atividades da Igreja são mantidas com recursos do Dízimo. A formação de novos sacerdotes, bem como a preparação dos leigos, a manutenção das estruturas da Igreja, além da ajuda através das muitas missões, ocorrem porque há a experiência de fé que chega com os recursos do Dízimo”, explanou o coordenador da Ação Evangelizadora e do CDC, padre Itamar Abreu Turco. O sacerdote foi quem idealizou as visitas às comunidades como forma de agradecimento pelo empenho de cada um em colaborar com recurso que se transformam em obras. “Visitar as comunidades e falar dos quarenta anos do Boletim é uma maneira de agradecer a todos os dizimistas de nossa diocese. Sem eles, sem esta força viva e cristã, nada seria possível. A comunicação é vital para a Igreja. Através dos nossos veículos de comunicação, a evangelização pode chegar a todos, rompendo com as barreiras das distâncias”, reforça padre Itamar.

DOCUMENTO 106

De 14 a 16 de junho de 2016, o Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) aprovou o Documento 106, que versa sobre “O Dízimo na Comunidade de Fé: orientações e propostas”.

Este material reforça o Documento 100 da mesma entidade “Comunidade de comunidades – uma nova paróquia”, que foi elaborado a partir da Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, do Papa Francisco, que fazia o seguinte apelo: “Espero que todas as comunidades se esforcem por atuar os meios necessários para avançar no caminho duma conversão pastoral e missionária, que não pode deixar as coisas como estão. Neste momento, não nos serve uma ‘simples administração’. Continuamo-nos em ‘estado permanente de missão’, em todas as regiões da terra”.

Conforme o bispo auxiliar de Brasília e Secretário-Geral da CNBB, Dom Leonardo Ulrich Steiner, o pedido do Pontífice levou a CNBB a escrever o Documento 100 em 2014. Dois anos depois, reforçando a proposta do Pontífice e suprindo uma necessidade da Igreja do Brasil, o Documento 106 foi elaborado e serve como base para todos os católicos em se tratando da implantação e orientação sobre o Dízimo como trabalho Pastoral e um dos pilares de sustentação da Igreja.

Na página 13 do Documento (106), em resposta à pergunta: “O que é o dízimo?”, diz-se que: “Por meio do Dízimo, que é uma contribuição motivada pela fé, os fiéis vivenciam a comunhão, a participação e a corresponsabilidade na evangelização”.

Nas 44 páginas do Documento 106, há muitas respostas sobre a importância do Dízimo para a Igreja. A partir desse comprometimento, conforme o texto, a evangelização ocorre de forma mais incisiva e direcionada, sem que outros percalços interrompam a caminhada cristã. “A contribuição com o Dízimo é um modo de reconhecer que Deus é o Senhor de todos os bens (dimensão religiosa), de manter as estruturas eclesiais no âmbito paroquial e diocesano (dimensão eclesial) e partilhar os recursos, em vida do crescimento do Reino de Deus (dimensão missionária) e do serviço da caridade (dimensão caritativa)”, diz o texto sobre “As dimensões do Dízimo” na página.

No capítulo II do Documento 106, há orientações claras sobre a implantação do Dízimo nas dioceses, paróquias e comunidades. Conforme a página 27 do material da CNBB, “O processo de implantação do Dízimo aprofunda a compreensão da fé, a consciência da pertença a uma Igreja particular e reforça a Pastoral de Conjunto”.

Com base nestas particularidades, a diocese de Guarapuava, procura entender e dar suporte a todas as paróquias e comunidades em se tratando da implantação e manutenção Dízimo como ação pastoral e de compromisso cristão. “As paróquias que abraçaram o Dízimo como fonte de manutenção e sustentação da Igreja, comemoram esta grande conquista. A eliminação das festas sem bebidas alcoólicas apresentam ótimos resultados, pois nestas confraternizações há harmonia e evangelização, nossa meta principal enquanto Igreja viva”; salienta padre Itamar.

DÍZIMO NA DIOCESE DE GUARAPUAVA

Em visita a algumas paróquias que pertencem à diocese de Guarapuava, a equipe de reportagem do CDC, se deparou com diversas realidades e experiências em se tratando do Dízimo. Mais de oitenta por cento das paróquias optaram pela arrecadação dos valores usando o sistema de envelope. Este formato, conforme os coordenadores; promove maior envolvimento entre as pessoas da comunidade e a Igreja e isto, segundo reforçam, é o ponto principal para alavancar os trabalhos missionários e de evangelização.

A diocese de Guarapuava trabalha com três frentes: Missão, Círculos Bíblicos e Dízimo. Os três setores são responsáveis por manter a Igreja unida e compreender as diferentes realidades inseridas que existem em sua área de abrangência.

Com 47 paróquias e 1047 comunidades, a diocese de Guarapuava se faz presente em 31 municípios do Paraná, se posicionando assim, como a maior do Estado. As dificuldades são muitas enquanto sociedade e enquanto Igreja e surgem a todo instante. No entanto, a força dos cristãos, sobretudo, dos leigos, é a motriz de muitos projetos missionários e de evangelização que fazem a diferença junto à sociedade, sem levar em conta o grau de dificuldade, tampouco a distância entre um lugar e outro. “Cristo nos une pelo amor incondicional. É por este amor que a Igreja se mantém viva e na busca pela unidade sempre. Acreditar faz parte da vida do cristão. Devemos, em qualquer tempo e lugar, ser missionários e trabalhar com vontade, com verdade para esta obra do Senhor, em favor deste amor que nos mantém firmes na caminhada cristã. O Dízimo na comunidade de fé é a resposta, o gesto concreto para a vivência, para a compreensão do amor de Deus que nos dá tudo, sem medidas, sem cobranças”, observa o bispo diocesano Dom Antônio Wagner da Silva.

O bispo também sublinha que todos os católicos precisam ser exemplo de amor, de doação e de esperança em suas comunidades e famílias. “O exemplo de partilha, de doação, deve começar dentro de cada um de nós. Em nosso íntimo, de acordo com nossa consciência, devemos ouvir o chamado para servir. Este ato de entrega não escolhe o lugar e não tem um tempo determinado. Envolver-se com as comunidades e repartir as tarefas é o dever de cada um de nós enquanto cristãos que somos. As dimensões do Dízimo vão muito além da contribuição com dinheiro. O envolvimento das famílias, a partilha e a devoção são as coisas que, de fato, importam. Dar de si para quem tem menos ou para quem não tem nada, é um gesto de amor, mas também, de compromisso, de servidão a Deus”, sublinhou Dom Wagner.