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Quase metade da população brasileira não se exercita o suficiente

Segundo a Organização Mundial da Saúde, mais de 1,4 bilhão de adultos no mundo não pratica atividades físicas em quantidade suficiente.

17/09/2018 08:43:00


A Organização Mundial da Saúde (OMS) realizou a primeira pesquisa para estimar tendências globais sobre o hábito de se exercitar. O levantamento divulgado no dia 5 de setembro usa dados de 2001 a 2016. Os números mostraram que mais de 1,4 bilhão de adultos em todo o mundo não pratica atividades físicas em quantidade suficiente.

As estimativas analisadas pela OMS demonstram que houve pouco progresso na melhoria dos níveis de atividade física em 15 anos. Os dados apontam que, se as tendências atuais continuarem, a meta global de 10% de redução da inatividade não será atingida até 2025.

BRASIL SEDENTÁRIO

A América Latina é a região do mundo com o maior índice de pessoas que não praticam atividade física o suficiente para manterem-se saudáveis, atingindo 39% do total. O Brasil é o país com o maior índice, 47%. A Costa Rica, com 46%, Argentina, com 41%, e Colômbia, com 36%, não estão longe do resultado do Brasil.

No contexto global, o Brasil se encontra no grupo de países onde há maior ociosidade, superando, por exemplo, os Estados Unidos (40%) e o Reino Unido (36%). Os níveis de atividade física por semana, recomendados pela OMS, são de, pelo menos, 150 minutos de grau moderado a intenso ou 75 minutos de esforço físico forte.

Os melhores índices em relação aos países que não cumprem os requisitos mínimos de atividades são apresentados pelo Uruguai (22%), Chile (26%) e Equador (27%). A Bolívia, o Haiti e o Peru são os países da América Latina e do Caribe com mais de 10 milhões de habitantes que não tinham dados a respeito.

NO MUNDO

Em 2016, cerca de uma em cada três mulheres (32%) e um em cada quatro homens (23%) em todo o planeta não estavam atingindo os níveis recomendados de atividade física para manterem-se saudáveis. A pesquisa alerta que o sedentarismo aumenta os riscos de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, demência e alguns tipos de câncer

“Ao contrário de outros grandes riscos para a saúde global, os níveis de inatividade física não estão caindo e mais de um quarto de todos os adultos não estão atingindo os níveis recomendados de atividade física”, afirma a principal autora do estudo, Regina Guthold.

O relatório da OMS incluiu nos cálculos as atividades físicas realizadas no trabalho e em casa, durante deslocamentos e momentos de lazer. Os resultados foram obtidos a partir de 358 questionários populacionais feitos em 168 países, somando um total de 1,9 milhão de indivíduos participantes. Todos tinham no mínimo 18 anos de idade.

DESIGUALDADE SOCIAL

Segundo a OMS, em 55 dos 168 países pesquisados, mais de um terço da população não praticava atividade física o suficiente. O sedentarismo avançou principalmente nos países ricos — houve um aumento de 5% na inatividade física em nações de renda alta, de 32% em 2001 para 37% em 2016. Nos Estados de baixa renda, o crescimento foi de apenas 0,2%, no mesmo período, alcançando 16,2%.

Nos países mais ricos, a transição para ocupações e formas de recreação mais sedentárias, bem como para meios de transporte motorizados, poderia explicar os níveis mais altos de inatividade física. De acordo com os autores do levantamento da OMS, nos países de renda mais baixa, o trabalho e o deslocamento exigiriam mais atividade dos indivíduos.

Embora diminuições da atividade física ocupacional e doméstica sejam inevitáveis, conforme os países prosperam e o uso da tecnologia aumenta, os governos devem fornecer e manter uma infraestrutura que promova caminhadas, ciclismo, esportes e recreação ativa, recomenda o estudo.

COMBATE À INATIVIDADE

O estudo também estimula os países a adotar políticas nacionais de transportes não motorizados, como caminhar e pedalar, assim como a participação das pessoas em atividades esportivas em seu tempo livre.

Fiona Bull, coautora da pesquisa, lembra que quase 75% de todos os países já contam com uma política ou plano de ação para combater a inatividade física, mas poucas estratégias foram implantadas para ter impacto nacional.

“Os países precisarão melhorar a implementação de políticas para aumentar as oportunidades para a prática de atividade física e incentivar mais pessoas a serem fisicamente ativas. Os governos reconheceram a necessidade de ação, endossando o plano de ação mundial sobre atividade física e saúde para o período de 2018 a 2030”, completa a pesquisadora.

O São Paulo, com informações de ONU, BBC Brasil e Agência EFE

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil