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SEMINÁRIO NOSSA SENHORA DE BELÉM: Quatro décadas dedicadas à formação sacerdotal

No dia 28 de janeiro de 2019, o Seminário Diocesano Nossa Senhora de Belém, em Guarapuava festeja seus quarenta anos de fundação. A instituição formativa é parte de um sonho que se concretizou e se multiplica.

03/12/2018 08:59:00


Bênção de inauguração do Seminário Diocesano Nossa Senhora de Belém, em 28 de janeiro de 1979. Na foto, Dom Frederico Helmel e o primeiro reitor do seminário, padre Casemiro Oliszeski

É fato notório que toda fé sem obra é morta. Há, portanto, obras que são erigidas, construídas e mantidas em função da fé, numa ânsia por saciar as necessidades desta busca tão frenética por conhecimentos que para todos, servem de alicerce, de base.

Trabalhar e viver a fé são tarefas para poucos, só para os que se doam por completo sem medir as consequências deste ato e sem nada pedir em retribuição.

Nada mais concreto para se ilustrar a fé do que a criação de uma instituição religiosa capaz de formar seus futuros sacerdotes e despertar nestes, cada vez mais, a vocação, o espírito de doação e a vontade de servir sem que haja, necessariamente, uma contrapartida, algo em troca deste trabalho que tem o potencial de elevar o espírito e deixar a alma cada vez mais leve...

Local de fé e de muito estudo, o Seminário Diocesano Nossa Senhora de Belém, em Guarapuava é parte de um sonho que se concretizou e, como videira em terra fértil, está no auge da produção dos mais belos e admiráveis frutos, resultado da doação e perseverança que se perpetua ao longo dos tempos em favor das vocações.

Inaugurado no dia 28 de janeiro de 1979, o Seminário foi considerado, à época, resultado de uma ideia concebida e alimentada desde a fundação da diocese, em 1966, pelo seu primeiro bispo, Dom Frederico Helmel.

A nova casa de formação dos futuros sacerdotes da Igreja Católica da Região Central do Paraná foi vista pela comunidade como um verdadeiro presente para todos. Tal benesse tinha por finalidade romper com barreiras e, através dos estudos, transformar pessoas e dar-lhes bases sólidas na fé cristã, além de fazer com que estas mesmas pessoas, passassem a disseminassem a Palavra de Deus nos mais longínquos rincões, sem levar em consideração o grau de dificuldade e também a resistência por parte de alguns.

Segundo relato do primeiro reitor do Seminário Diocesano Nossa Senhora de Belém, padre Casemiro Oliszeski, a ideia de Dom Frederico era ousada para a época, mas muito provocativa, uma vez que a comunidade sentia a necessidade de um local de estudos onde pudesse formar seus próprios padres.

Em um artigo escrito especialmente para o Jornal A Igreja na Diocese de Guarapuava (Boletim Diocesano), em maio de 2011, com o título de: “A Ousadia de um Projeto”, padre Casemiro discorre sobre a concretização dos sonhos de um homem que via na construção e criação de benfeitorias, uma grande forma de evangelizar e de alicerçar a Igreja em bases inquebráveis neste ponto do Paraná.

“Dom Frederico Helmel, assumindo a diocese de Guarapuava, sendo seu primeiro bispo, percebeu logo a urgente necessidade de sacerdotes para trabalhar numa região tão vasta como esta. Imagino o que deve ter passado pela cabeça de um bispo procurando organizar e dinamizar a evangelização numa diocese recém-criada e com tantos desafios a serem enfrentados. Para formar um sacerdote levam-se muitos anos. Há necessidade de uma estrutura física, de uma equipe de formadores, de recursos para custear a formação”, discorre padre o religioso.

Antes da criação do Seminário Nossa Senhora de Belém, a alternativa para Dom Frederico, segundo relata padre Casemiro, era chamar sacerdotes de congregações europeias para suprir as urgentes necessidades das paróquias de Guarapuava. “Dom Frederico, pelo visto, procurou uma saída alternativa para solucionar a falta de clero. Foi buscar na Europa, padres já formados. Chegaram então à diocese os valorosos e valentes padres da Itália e da Polônia. Estes homens jamais serão esquecidos pela sua dedicação, sua coragem, seu amor ao Evangelho e ao povo que serviram”, grifa padre Casemiro.

Quando Dom Frederico assumiu a diocese de Guarapuava, havia três seminaristas da Região estudando em outros seminários. O mais procurado era o Seminário São José, da diocese de Ponta Grossa. Alguns estudantes também cumpriam com suas tarefas escolares e também de formação religiosa em Londrina, no Norte do Estado.

TRABALHO PASTORAL

A aposta de Dom Frederico era no trabalho bem mais organizado da Pastoral Vocacional. Com apoio da comunidade, dos leigos e de religiosos, ele conseguiu grandes resultados no despertar de jovens para a vocação e a vida sacerdotal.

Ao mesmo tempo surgia um projeto que exigiria um grande investimento financeiro e também recursos humanos. O projeto do Seminário Diocesano Nossa Senhora de Belém.

Tendo muitos conhecidos e amigos na Europa, Dom Frederico buscou os primeiros recursos no exterior e assim começou a construção da nova instituição que formaria os sacerdotes.

Casemiro foi ordenado padre no dia 08 de dezembro de 1978. No ano seguinte, em janeiro, ele foi convidado para trabalhar como reitor no novo seminário. O padre lembra que ficou pensativo e até relutante quanto ao pedido do bispo, mas por fim, acreditando em sua vocação e no chamado de Deus para a tarefa, acabou por assumir os trabalhos. “O ano de 1978 já estava para terminar. A minha ordenação sacerdotal já tinha sido marcada para o dia 08 de dezembro, quando Dom Frederico, passando por Curitiba, local onde eu estudava, me fez uma visita e disse que o Conselho Presbiteral sugeriu o meu nome para assumir o Seminário Diocesano que estava sendo construído. Com muito temor e tremor, depois de muitas ponderações, disse ao bispo que assumiria”, relembra.

Depois da inauguração, organizou-se um estágio vocacional. Mais de trinta jovens participaram e passaram a morar na nova casa de formação da diocese. Antes da inauguração, alguns seminaristas que cursavam o supletivo em Guarapuava, moravam na Casa de Líderes Nossa Senhora de Guadalupe, que fica nas proximidades.

As dificuldades iniciais segundo relatos históricos eram grandes, como ocorre quase sempre, no início de uma caminhada. Além dos trabalhos de formação com os seminaristas, também pesava sobre a reitoria os trabalhos administrativos e burocráticos, os quais requeriam grande esforço e muita dedicação.

Durante este período considerado crítico, padre Casemiro destaca que ele e os outros moradores sempre puderam contar com a ajuda de Dom Frederico. Segundo afirma, o religioso nunca deixou a instituição desprotegida. Irmãs da Congregação de Santa Maria Madalena Postel e duas funcionárias faziam parte da equipe de trabalho no novo Seminário.

Já para o segundo ano de funcionamento do Seminário Diocesano Nossa Senhora de Belém, o espaço foi totalmente ocupado com o ingresso de novos seminaristas.

Com a chegada de mais estudantes interessados na vida sacerdotal, houve a necessidade urgente de concluir as obras de edificação, uma vez que quando da inauguração, apenas cinquenta por cento do espaço estava liberado para o uso.

Através da intervenção de Dom Frederico, recursos de fora do Brasil continuavam a chegar. O montante fora angariado à forma de doação e as obras do prédio puderam ser concluídas nos anos seguintes.

Nos primeiros anos, mais de trinta seminaristas ocupavam a casa e se dedicavam aos estudos.

Os trabalhos de recrutamento e formação eram realizados através de um bom entrosamento entre a equipe da Pastoral Vocacional e a equipe mantenedora e gestora do Seminário. O Reitor permaneceu à frente da formação por cinco anos.

Os planejamentos pastorais foram intensos no intuito de recrutar jovens com vocação ao sacerdócio. Os trabalhos deram grandes resultados, segundo a direção do Seminário à época e os primeiros padres, formados pela diocese de Guarapuava passaram a desempenhar seus trabalhos nas diversas paróquias e institutos nesta vasta região do Paraná.

“Foi uma ousadia de Dom Frederico e uma atitude de fé, todo o esforço e investimento na Pastoral Vocacional e formação dos futuros presbíteros diocesanos. Nos seus últimos anos de governo da diocese de Guarapuava, os resultados eram notórios. O que hoje existe teve o seu início com o primeiro bispo diocesano. A ele o nosso reconhecimento e o pedido: ‘Dom Frederico, rogai por nós!’”, finaliza.

TRAJETÓRIA DE PADRE CASEMIRO

De 1979 até 1984 : Reitor do Seminário Menor Nossa Senhora de Belém – Guarapuava – PR.

De 1984 até 1987 : Coordenador da Pastoral Vocacional da Diocese de Guarapuava - PR.

De 1987 até 1999: Capelão Militar da Capelania de Ponta Grossa – PR.

De 2000 até 2017, atuou como pároco da Catedral Sant´Ana  de Ponta Grossa – PR.

De 2017 até os dias atuais, padre Casemiro trabalha como pároco da paróquia São José e Santuário Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, decanato centro da diocese de Ponta Grossa.

REITOR

Desde sua fundação, muitos foram os reitores, benfeitores, religiosos e amigos do Seminário Nossa Senhora de Belém que deram sua contribuição para que a formação sempre fosse prioridade máxima da instituição.

Atualmente, o reitor é o padre diocesano José Amarildo Novacoski. Ele assumiu as funções naquela casa de formação presbiteral no dia 11 de dezembro de 2015, quando foi empossado pelo bispo Diocesano, Dom Antônio Wagner da Silva.

Padre José Alir Moreira, que antecedeu padre José Amarildo na reitoria da instituição, passou a trabalhar em Curitiba desde janeiro de 2016, onde permanece até o presente momento. Lá, o sacerdote também exerce a função de reitor, da nova casa do Seminário Maior Nossa Senhora de Belém, instalado na Capital.

Em Curitiba, ocorre a formação de estudantes de Teologia da diocese. A posse de Padre José Alir Moreira, em Curitiba, também foi dada por Dom Antônio Wagner da Silva. O ato ocorreu no dia 18 de dezembro de 2015.

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