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Guarapuava sedia Seminário Regional da Campanha da Fraternidade 2019

O secretário executivo do Regional Sul 2 da CNBB, padre Valdecir Badzinski, grifou que, normalmente, as pessoas costumam se referir à política, levando em conta as ideologias partidárias, o que, por muitas vezes acarreta em grandes erros.

10/12/2018 15:23:00


Nos dias 08 e 09 de dezembro, a Casa de Líderes Nossa Senhora de Guadalupe, em Guarapuava, sediou o Seminário de Formação da Campanha da Fraternidade (CF) 2019, do Regional Sul 2 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que traz como tema: “Fraternidade e Políticas Públicas” e lema: “Será libertado pelo direito e pela Justiça”. (Is. 1, 27)

Ao todo, 56 pessoas representando as arquidioceses e dioceses do Paraná, participaram dos trabalhos, que foram mesclados por discussões, palestras, trabalhos em grupo e troca de experiências. A diocese de Guarapuava enviou oito representantes.

Antônio Socorro Evangelista (Toninho), secretário executivo da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para a CF, foi o assessor dos trabalhos que teve por objetivo, aprofundar as três partes que integram o texto-base da CF 2019: Ver, Julgar e Agir. Sob o tema “Fraternidade e políticas públicas”. Conforme o palestrante, o objetivo da CF 2019 consiste em estimular a participação em políticas públicas, à luz da Palavra de Deus e da Doutrina Social da Igreja, para fortalecer a cidadania e o bem comum, sinais de fraternidade. “Eu já passei por outros Regionais (da CNBB) este ano e estou encerrando as atividades relativas à Campanha da Fraternidade 2019 aqui, em Guarapuava. O que me alegra nisso tudo, é que as pessoas estão comprometidas, as arquidioceses e dioceses participando, sempre com muitas intervenções, com muitas perguntas e questionamentos sobre o tema que é delicado, eu sei, mas que precisa ser aventado, discutido, mostrado com clareza para todas as pessoas. Políticas Públicas é um tema, desafiador, muito sério e que precisa ser tratando como tal, com seriedade. Por ser um tema atual, nos possibilita viver a plenitude do Evangelho”, destacou Toninho.

O secretário executivo também grifou que, normalmente, as pessoas costumam se referir à política, levando em conta as ideologias partidárias, o que, por muitas vezes acarreta em grandes erros, com consequências irreparáveis. “Se nós assumíssemos a política como uma proposta de fé, como uma proposta de desenvolvimento, o tema em si, proposto pela CNBB, seria mais ameno. Mas é tendência, também, que cada um de nós seja fechado em ideologias partidárias, acabando, com isso, por perder um pouco a percepção do Reino, com desperdício de energias nestas discussões, sem levar em conta o verdadeiro sentido das políticas públicas e seus elementos que enriquecem e evidenciam cada vez mais a dignidade humana”, sublinhou o palestrante.

O secretário executivo do Regional Sul 2 da CNBB, padre Valdecir Badzinski, falou da importância da preparação por parte das arquidioceses e dioceses do Paraná para suprir as lacunas existentes em se tratando de estudo de Políticas Públicas nos municípios. “Nós temos uma realidade bastante distinta de pessoas aqui presentes, vindas de diversas arquidioceses e dioceses do Paraná, mas que chegam com uma inteireza de adesão à Campanha da Fraternidade. Políticas Públicas e Fraternidade é um tema que a CNBB nos dispõe para rezar. Este é um momento de grande dimensão para a Igreja, para que possamos celebrar a quaresma em torno deste assunto. Eu percebi neste grupo, assessorado pelo Toninho, uma pré-disposição interior muito profunda, participativa. As pessoas aqui estão muito empolgadas para aprender e levar às suas dioceses, comunidades, enfim, este aprendizado. Será uma ação evangelizadora a partir das políticas públicas, envolvidas na base social da nossa Igreja enquanto paróquias e comunidades”; discorreu o sacerdote.  

Padre Valdecir também falou que observar os problemas em nível de Estado, representa uma magnitude muito maior, pois é necessário que se saiba lidar com muitas realidades. “A ação social, na Igreja, por exemplo, tem suas dimensões. Quando se está numa paróquia, ela é vista; entendida e trabalhada de uma forma. Quando se fala de diocese, a dimensão aumenta e, quando estamos tratando de algo regional, como é o caso aqui, as coisas ficam mais complexas. Em cada um desses níveis, exige uma dedicação e uma concentração próprias. Como hoje estou na CNBB do Regional (Sul 2), eu tenho a consciência de que os trabalhos exigem muito mais de mim e eu preciso saber trabalhar com este grau de dificuldade e de entendimento. A partir dessa consciência, vem o esforço de fazer sempre o melhor possível em favor da Igreja”, considerou padre Valdecir.

Há uma grande dificuldade, segundo o secretário executivo, em se pensar no bem comum. E esta dificuldade acaba por desmerecer o ser humano e reduzi-lo a condições miseráveis, deixando-o à margem de tudo. Isto, de acordo com padre Valdecir, acaba por abrir feridas que dificilmente se cicatrizarão em cada ser humano que sofre este tipo de ação. “De uma forma muito simples, eu digo que nós temos direitos para tudo e todos, exceto, para o desmerecido, para quem está jogado à margem. Se eu derrubar uma árvore, por exemplo, eu tenho uma lei que me pune. Se eu maltratar um animal, um pássaro, também serei punido. Mas se eu desmerecer um pobre parece que não tem lei ou, se tem, dificilmente será cumprida. Se não há uma lei que levante, que defenda esse pobre e se a Igreja não tomar partido e fizer, nós estamos deixando de cumprir com a missão essencial que Jesus nos pediu, que é cuidar dos pobres. Essa parcela sobrante da sociedade é a essência do olhar da Igreja. Como sacerdote, sabendo desses propósitos, da dimensão do trabalho, é isso que defendo e é por isso que luto”, finalizou padre Valdecir.

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