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Milho será primeiro alimento editado geneticamente com Crispr no Brasil, diz Corteva

No Brasil, será lançado o milho ceroso, cuja principal característica de interesse é a composição do amido, substância que concentra as reservas energéticas da planta. Empresa também divulgou parceria com Embrapa.

13/12/2018 17:26:00


A Corteva, divisão de ciência agrícola da norteamericana DowDuPont, anunciou, em 12 de dezembro de 2018, durante evento realizado em Brasília (DF), a inserção do primeiro produto agrícola com a tecnologia Crispr-Cas no mercado brasileiro. O milho ceroso, cujo amido tem composição diferente do milho tradicional, será o alimento pioneiro com esta técnica de edição gênica no país.

“O Crispr é uma técnica de edição gênica, que se diferencia da transgenia porque não envolve a inserção de genes de espécies diferentes para induzir características desejadas em outras”, explicou a líder de pesquisa da Corteva, Sandra Milach.

A tecnologia permite que o código genético da planta seja editado, como num texto, onde é possível substituir “letras”, que simbolizam os aminoácidos que compõem o material genético.

“Analisamos o gene de determinada planta com uma característica desejada e modificamos o gene da planta que trabalhamos para que ela produza essa característica. Às vezes, tudo é questão de apenas uma ‘letra’”, argumentou o professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Luiz Carlos Federizzivi.

O produto lançado no mercado brasileiro será o milho ceroso, cuja principal característica de interesse é a composição do amido, substância que concentra as reservas energéticas da planta. Este tipo de milho possui alta concentração de amilopectina (98%) em relação ao tradicional (73%), o que o torna mais facilmente digerível e absorvível pelo corpo. Além disso, é mais estável e mais fácil de ser dissolvido.

Além da novidade tecnológica, a Corteva também anunciou uma parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em que os objetivos mais próximos de ambas as partes são o desenvolvimento de uma soja resistente à seca e a nematoides e de um feijão geneticamente editado.

“O Brasil é nosso 2º maior mercado em faturamento, perdendo apenas para os Estados Unidos, e tem o maior potencial de crescimento da agricultura mundial. Por isso essa parceria é tão importante”, concluiu a vice-presidente de relações institucionais da Corteva, Krysta Harden.

*O repórter viajou a Brasília a convite da Corteva

Agência EFE

Foto: EFE/Wu Hong