domingo, 24 de janeiro de 2021

Artigo

ARTIGO: Nos adaptamos

Como cantou Belchior: “o passado é uma roupa que não nos serve mais”, mas ficaram boas lembranças, aprendizados, histórias. Adquirimos experiência e nos adaptamos.

30/12/2020 15:01:00


Foram quatro anos e meio de espera desde a criação da empresa em 28 de junho de 1966, até a Rádio Cultura “entrar no ar”, na época operando em ondas médias (OM). Em 18 de janeiro de 1971, Guarapuava ouvia nascer aquela que iria se transformar na maior emissora de rádio da cidade de Guarapuava e região central do Paraná.

Lá se vão 50 anos de transmissões radiofônicas. Mas como o valor das coisas não está no tempo que elas duram, e sim, na intensidade com que acontecem, a Rádio Cultura, posso dizer que “não matou tempo”; pelo contrário, foi intensa, aproveitou cada dia, cada hora, cada minuto para bem-informar, levar a boa-nova de nosso Senhor Jesus Cristo e o entretenimento saudável aos seus milhares de ouvintes. Também nesse tempo a Rádio Cultura esteve sempre ao lado das boas iniciativas e procurou ser uma voz profética ecoando desde Guarapuava até os quatro cantos da nossa diocese.

“Eu não tenho mais a cara que eu tinha. No espelho, essa cara não é minha” cantam os Titãs na música “Não vou me adaptar”. Se olharmos hoje o que era e a transformação ocorrida no meio rádio nesses 50 anos, principalmente no aspecto tecnológico, não vamos nos reconhecer. Do vinil e da fita, ao áudio digital. Do ruído tradicional da amplitude modulada, ao som límpido e cristalino do FM. Dos transmissores imensos, do tamanho de um guarda-roupas, aos pequeninos transmissores transistorizados. Dos estúdios repletos de equipamentos com a técnica separada para o operador de som, onde com toda a sua habilidade operava os gravadores de rolo, gravadores K7, cartucheiras, toca-discos, aos estúdios “clean” com computador, mesa de áudio e microfone. Nós nos adaptamos!

Nesse tempo de existência da Rádio Cultura, com certeza, a internet foi a maior das novidades. Um novo desafio. Porém, longe daquilo que alguns diziam (que na verdade foi a mesma coisa dita com o surgimento da TV), que com a internet o “rádio morreria”, isso não ocorreu: outra vez nos adaptamos. Ganhamos muito com a internet, crescemos muito com a internet. Se antes falavam que o rádio era volátil, que se a mensagem radiofônica não fosse ouvida no momento da transmissão estaria perdida, com a internet se tornou possível recorrer aos áudios disponíveis para ouvir ou “reouvir” o conteúdo a qualquer hora. Se antes, somente com as ondas eletromagnéticas a abrangência da rádio era limitada, hoje ela pode ser ouvida pelo computador, no celular e outros dispositivos, em qualquer lugar do mundo, através do “streaming”.

Se o rádio, lá atrás, perdeu com o advento da televisão, por não ter imagem, hoje com as câmeras no estúdio, somos quase TV, sem, no entanto, perder a essência mágica do rádio, que leva cada radio-ouvinte a imaginar à sua maneira o que o locutor narra. Nos adaptamos, no entanto, a sedução mágica radiofônica permanece.

Mas, muito além do aspecto tecnológico, o humano é que verdadeiramente faz o rádio. E a Cultura sempre se destacou como um “celeiro de talentos”. Muitos começaram aqui na rádio Cultura, muitos se aperfeiçoaram aqui na Cultura, muitos tiveram uma passagem rápida, alguns ficaram por muito tempo. Quando “pisei pela primeira vez” na rádio, em 1982, a emissora já havia completado 11 anos no ar. Conheci, trabalhei, convivi com muitos profissionais, alguns já ‘in memorian’. Na Cultura, fiz muitos companheiros, amigos, conheci muita gente, aprendi a trabalhar e amar a comunicação. O que sou, onde estou, devo muito à rádio.

O que mais me encanta neste meio é o amor que as pessoas têm pelo rádio. Quem trabalha na Rádio Cultura é um ser humano diferenciado: é um apaixonado. Quem ouve o rádio tem nele um amigo, um companheiro para todas as horas. A Rádio Cultura sempre se destacou por sua intimidade com cada ouvinte, pela confiança que inspira nas pessoas.

A Rádio Cultura também se caracteriza por privilegiar a boa notícia, mas quando tem que ser instrumento de denúncia, reivindicação, o faz de maneira séria, com ética e muita competência: “aqui o que você ouve tem credibilidade”, diz uma das vinhetas da emissora.

A Rádio Cultura nasceu para ser a “voz da diocese de Guarapuava” e esse trabalho sempre desenvolveu com competência e excelência. A Cultura sempre apoiou o esporte local e regional, e agora no pós-pandemia, isso será retomado.

E por falar em pandemia, este foi um tempo de muitas contradições. Se por um lado, no aspecto econômico e financeiro, o ano de 2020 foi ruim, no âmbito de audiência da rádio, foi um ano excelente. Na Rádio Cultura, os ouvintes tiveram acesso às notícias verdadeiras. No isolamento a emissora retomou muito daquela parcela de audiência que por um motivo ou outro havia perdido nos últimos anos. A rádio ganhou muitos novos ouvintes. Nós ficamos mais próximos e mais íntimos de quem consome e/ou passou a consumir a programação da Rádio Cultura. Dobramos de uma para duas missas diárias transmitidas pela Cultura FM 94,3. As mensagens, a palavra de Deus foi um alento para muitos que devido às restrições impostas para combater o avanço do novo Coronavírus, ficaram isolados.

Jubileu de ouro, 50 anos no ar: tempo, adaptações, desenvolvimento. Como cantou Belchior: “o passado é uma roupa que não nos serve mais”, mas ficaram boas lembranças, aprendizados, histórias. Adquirimos experiência e nos adaptamos. Em breve eu também terei passado, mas ficará o meu desejo de que a Rádio Cultura, bem como a sua irmã 93FM, tenham uma longa vida porque o futuro ainda está a ser escrito.

Por: Jorge Teles dos Passos – uma peça de uma grande engrenagem chamada Central Cultura de Comunicação.

Começou em 1982 como auxiliar do contador da emissora. Tornou-se radialista, jornalista, uma “cria da Cultura”. Hoje é um dos diretores da emissora.