domingo, 24 de janeiro de 2021

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RETROSPECTIVA 2020: O rosto sinodal e missionário sustenta o debate sobre a construção do novo estatuto da CNBB

O processo foi iniciado em julho com a produção de material de reflexão que foi encaminhado aos bispos.

22/12/2020 14:46:00


“Sinodal e missionária” esses são os dois principais eixos da estrutura e do funcionamento do novo estatuto da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) que, em agosto de 2020, deu início ao processo de construção do documento que pretende ser o rosto da Igreja no Brasil nos dias atuais contemplando além dos critérios de sinodalidade e missionariedade, os eixos de formação integral, comunicação e diálogo estratégico com a sociedade.

Para colaborar com o processo de construção do novo estatuto, a CNBB por meio do Instituto Nacional de Pastoral Alberto Antoniazzi (INAPAZ), vinculado à entidade, produziu seis lives no canal oficial do Youtube que abordaram pontos importantes que serão contemplados no novo estatuto.

A série teve início com a apresentação geral da “sinodalidade e missionariedade” na primeira live; a “Sinodalidade” foi tema do segundo encontro e a “Missionariedade” tema da terceira live. Já o quarto encontro tratou da “Gestão pastoral”; o quinto da “formação integral” e o “diálogo estratégico com a sociedade” foi o protagonista da sexta e última live da série, que ao final resultou em outra série com o resumo do que foi debatido. Só que dessa vez em áudio. Foram produzidos seis podcasts tratando os mesmos temas das lives.

No primeiro podcast, o arcebispo de Belo Horizonte e presidente da CNBB, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, falou sobre a importância da renovação do estatuto.

“É a CNBB compreendendo que precisa fazer um novo caminho em função exatamente de uma nova reposta, sobretudo quando nós lançamos o nosso olhar sobre a realidade brasileira, sua complexidade social, política, econômica e a sua descompassada efervescência religiosa. Isso nos mostra, portanto, que nós precisamos ter uma presença muito mais qualificada à luz da palavra Deus, no diálogo, abrindo novos caminhos para que nós possamos cumprir melhor uma tarefa nossa fundamental”, afirmou Dom Walmor.

Este episódio também contou com a participação do o bispo auxiliar do Rio de Janeiro (RJ) e secretário-geral da CNBB, Dom Joel Portella Amado e do bispo de São Carlos (SP) e referencial para o Setor Universidades da conferência, Dom Paulo Cezar Costa.

No segundo episódio, o destaque foi a “Sinodalidade” e o debate foi feito pelo professor emérito do departamento de Teologia da PUC-Rio, padre Mário de França Miranda que destacou pontos significativos sobre a dimensão da sinodalidade e o membro da Comissão Teológica Internacional da PUC-Rio, monsenhor Antônio Catelan que resumiu que a sinodalidade pode inspirar formas e dar vida a processos de renovação.

“Essa discussão da relação entre a conferência episcopal e a colegialidade se acrescenta, então, a reflexão sobre a relação entre a sinodalidade e a colegialidade e, portanto, entre a sinodalidade e as conferências episcopais. Sendo que o princípio colegial ele se refere aos membros do colégio episcopal, portanto, aos bispos e a sinodalidade muito mais ampla se refere a todos os sujeitos desse grande sujeito coletivo que é a Igreja. Então, a sinodalidade ela articula de modo mais satisfatório e profundo a condição de sujeitos de todos os membros do povo de Deus. Se destaca aí, por exemplo, o papel dos bispos, o papel dos presbíteros, dos membros da vida consagrada. Alguns carismas especiais. O documento da comissão teológica evidentemente recorda o carisma específico da teologia e sua contribuição para a sinodalidade”, disse Catelan.

Já no terceiro episódio, o foco foi a “Missionariedade” e teve como convidados para abordar o tema, o assessor da Comissão para a Ação Missionária e a Cooperação Intereclesial da CNBB, padre Daniel Rochetti e o bispo auxiliar de Belém (PA) e membro da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude da CNBB, Dom Antônio de Assis Ribeiro. Na ocasião, padre Daniel falou sobre os desafios atuais da missão que é continuidade do agir de Deus. Dom Antônio, por sua vez, ressaltou que a construção do novo estatuto precisa levar em consideração a diversidade da ação missionária.

“Uma primeira questão muito delicada para orientar a elaboração do novo estatuto é não usar viseiras. Quando nós usamos viseiras nós perdemos a visão multilateral e a perda da visão multilateral nos colocaria num horizonte reducionista, míope e o novo estatuto não deve nos levar para esse horizonte míope, mas levar em conta a diversidade das dimensões que implica o evangelizar e a sociedade enquanto tal. Caso contrário, nós iremos perder a beleza e o significado da missão. A missão é pluridimensional e pluridimensional deve ser também o estatuto”, destacou Dom Antônio Ribeiro.

ETAPAS DA CONSTRUÇÃO DO NOVO ESTATUTO DA CNBB

O processo foi iniciado em julho com a produção de material de reflexão que foi encaminhado aos bispos. A segunda etapa do processo foi a reflexão, em blocos regionais, dos tópicos presentes no material enviado aos bispos para que fizessem contribuições nos blocos estabelecidos.

A terceira etapa contou com a colaboração dos secretários executivos na sistematização das contribuições dos bispos e ainda foram realizadas, entre outubro e novembro, lives para debater o instrumento de trabalho preparado pelos bispos.

Os encontros foram transmitidos no canal do Youtube da CNBB e recebeu a cada semana bispos acompanhados de professores e pesquisadores das Universidades Católicas, lideranças e gestores especialistas nos temas e eixos que seriam debatidos.

CONSTRUÇÃO E APROVAÇÃO

A partir da quarta etapa do processo, parte-se da reflexão para a formulação. Primeiro, a jurídico-canônica, entre dezembro deste ano e janeiro de 2021. Em seguida, em fevereiro, a apresentação da proposta estatutária e regimental aos bispos, com nova participação dos blocos regionais. Em março, haverá o aprimoramento redacional jurídico-canônico e submissão à prévia aprovação do Conselho Permanente.

A sexta etapa é a discussão final e aprovação do novo estatuto, que vai ocorrer na 58ª Assembleia Geral da CNBB prevista para ser realizada em abril de 2021, em Aparecida São Paulo (SP). Para entrar em vigor, é necessária a sétima etapa do processo, que é a aprovação pela Santa Sé.

CNBB