segunda-feira, 27 de setembro de 2021

Artigo

Por que a Igreja do Paraná está construindo uma escola na África, e não aqui?

Confira o artigo do Padre Valdecir Badzinski, secretário executivo do Regional Sul 2 da CNBB, explicando quais são as razões da Missão São Paulo VI, em Guiné-Bissau.

14/09/2021 16:54:00


Pe. Valdecir Badzinski, secretário executivo do Regional Sul 2 da CNBB.

Para responder as perguntas “por que ir tão longe para fazer missão?” e “por que construir uma sede para missionários, escola e hospital?”, eu coloco aqui alguns pontos para nos ajudar em nossa missionariedade:

1º. Onde a miséria é maior, maior deve ser a atuação da Igreja. Nessa miséria incorrem a ausência de valores, de dignidade e de liberdade. Entre essas misérias elementares também estão: a fome, a ausência de educação governamental e uma cultura opressora.

2º. Para retribuir o bem que um dia o Brasil, nesse caso o Paraná, recebeu por meio de missionários e missionárias que vieram da Europa e de outros continentes. Eles deixaram tudo e vieram dar a nós aquilo que não tínhamos. Por isso, ter a Missão na África é um ato de gratidão, de reconhecimento, de lealdade com os missionários que aqui, na história da Igreja e do Paraná, estiveram conosco.

3º. A Missão está na África, porque lá é o lugar em que nós precisamos de uma Igreja unida. Aqui existem muitas misérias, como a falta de dignidade e a falta de assistência e educação, mas é tão pouco que, às vezes, uma paróquia consegue sanar. Lá, precisamos de uma Igreja mais unificada.

4º. Para cumprir um mandato bíblico. Baseio-me no texto: “Ide pelo mundo todo a fazei discípulos meus, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28, 19). Assim como o texto: “Quem crer e for batizado, será salvo” (Mc 16, 16). Num país, majoritariamente, muçulmano, nós estamos lá para tornar conhecida a pessoa de Jesus. Estes dois textos são a ordem de Cristo, registrada na Bíblia para nós, cristãos.

5º. Pela doutrina da nossa Igreja. O termo “katholikos”, significa “universal”. A Igreja Católica é para todos, para tudo. Onde estiver um ser humano, a Igreja deve atuar. Quando dizemos que somos católicos, a nossa casa é o mundo e, por isso, cuidamos de todos.

6º. Pelo magistério da Igreja, pois os documentos da Igreja nos falam que devemos ser uma Igreja Missionária, uma Igreja em Saída. Uma Igreja que não se trava em si mesmo. O Papa Francisco ainda diz para “não morrermos no mofo, mas sermos uma Igreja enlameada” (Evangelii Gaudium).

7º. É uma oportunidade para aprendermos com o povo guineense, sobre sua cultura, seus costumes, seu jeito de se relacionar com Deus e seu jeito de viver em comunidade. Ao trazermos esse conhecimento, enriquecemos a Igreja do Paraná.

Nesses sete pontos, percebemos o quão rica é a experiência de uma Missão ad gentes, em terras estrangeiras.