sábado, 15 de maio de 2021

Artigo

SÃO JOSÉ: O guia vocacional

Nossas vidas estão demasiadamente carregadas de “bugigangas”. Precisamos nos desligar um pouco de questões exteriores, a fim de focarmos naquelas relacionadas ao nosso interior.

16/03/2021 10:35:00


Estamos inseridos em um mês e ano muito especiais para nossa amada Igreja: no dia 19 de março, comemora-se o dia de São José. Este ano, foi dedicado, pelo Papa Francisco, ao pai adotivo de Nosso Senhor Jesus Cristo: São José.

Diante de tamanha dimensão dessa dedicação, certamente, ficamos curiosos e com desejo de saber mais sobre esse grande santo, o qual a Igreja venera de maneira tão especial. Isso é muito bom! A partir desse incômodo interior, podemos compreender pontos essenciais da santa devoção, o que nos auxilia na vivência das diversas vocações como laical, matrimonial, sacerdotal e religiosa.

Em primeiro lugar, podemos nos questionar: quem foi São José? O Papa Francisco, na Carta Apostólica Patris Corde, afirma que José foi um homem escolhido por Deus para ser o pai de Nosso Senhor. Entretanto, sabemos muito pouco sobre ele, pois somente dois evangelistas, Mateus e Lucas, relatam algumas passagens em que ele está incluso, consideradas suficiente para percebermos a grandeza de sua generosidade e fidelidade às coisas do alto. Assim como a Santíssima Virgem Maria, José soube aproveitar a infinitude de graças recebidas do Altíssimo, para cumprir, de maneira bela e piedosa, a sua missão.

O Papa São João Paulo II, conforme sua Exortação Apostólica Redemptoris Custos, reitera que “[...] a vida de Maria foi o cumprimento até às últimas consequências daquele primeiro fiat (faça-se) pronunciado no momento da Anunciação; ao passo que José não proferiu palavra alguma [...]”. Essa ausência de palavras é o que nos chama mais a atenção e nos deixa pensativos, nos faz questionar a finalidade desse silêncio.

Atualmente, incomoda-nos falar sobre silêncio ou qualquer outra prática que nos aproxime da abstinência de palavras, pois, como podemos perceber, o mundo está extremamente agitado, parece que não podemos parar. Muitas vezes, estamos vivendo de modo automático, vivenciando a cultura do imediato. Vemos que os meios de interatividade, como a internet, a televisão e o rádio, estão voltados para amenizar essa situação, mas, não raro, acabam contribuindo para que o problema se agrave ainda mais. Infelizmente, grande parte da população não quer mais se sujeitar a passar por um processo, seja ele qual for. Um exemplo muito prático e cotidiano disso está na própria alimentação. Muitas pessoas não querem mais cozinhar os alimentos.

Isso se reflete, de forma negativa, em nossa vida, especialmente quando se trata de vocação, pois como encontrar tempo para cuidar dela, se não queremos ou não conseguimos nos esforçar para zelar de aspectos tão básicos do nosso dia a dia? É nesse ponto que entra a imitação das características de São José, principalmente no que se refere ao silêncio. Nossas vidas estão demasiadamente carregadas de “bugigangas”. Precisamos nos desligar um pouco de questões exteriores, a fim de focarmos naquelas relacionadas ao nosso interior.

Sempre questionamos a forma de conseguir fazer isso. Apresentamos aqui algumas sugestões: o primeiro passo, sem dúvida, é o querer, posteriormente, estar determinando a seguir em frente, tendo sempre na consciência a certeza de que, mesmo se cair novamente no desânimo, no desleixo... , não desistir, levantar e seguir em frente sempre com os olhos fixos em Jesus, por meio da intercessão do glorioso São José; segundo passo, é aconselhável procurar um diretor espiritual, que, certamente, ajudará  nos momentos mais delicados da vida. Tudo isso, sem dúvida, culminará em uma boa caminhada cristã, rumo ao cumprimento da vocação que Deus preparou!

Nesse sentido, convidamos todos a buscar saber mais sobre São José; sobre sua vida; sobre suas virtudes, especialmente a virtude do silêncio! Com isso, podemos nos dedicar cada vez mais aos trabalhos em prol do Reino de Deus.

Não desanimemos! Imitemos as virtudes do castíssimo São José e sejamos fiéis ao Nosso Pai Celeste!

Miguel Pietchak

Seminarista da etapa do discipulado/filosofia